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Eddie Vedder em Lisboa – Somos todos amigos do “tio” Eddie

Créditos: Tiago Cortez / Everything is New

Eddie Vedder esteve em Lisboa na passada quinta-feira para dar um concerto inesquecível, que ficará marcado na memória dos presentes. Mais uma noite de Eddie para recordar, e desta vez com uma bela primeira parte a cargo de Glen Hansard. Saiba aqui como correu o concerto.

Foi ao som de “Alive”, tocada por um quarteto de cordas em palco (os Red Limo String Orchestra), que Eddie Vedder apareceu ao público presente naquele feriado na Altice Arena. Com a sala completamente rendida, Eddie não demorou muito a pegar na sua guitarra acústica e dar início a duas horas que se iriam revelar inesquecíveis. Começando com um original da sua carreira a solo, “Far Behind”, foi com a música seguinte que o músico nascido em Chicago e “adoptado” por Seattle pôs todo o público presente a cantar em uníssono as suas letras. Estamos a falar de “Just Breathe”, uma das melhores canções dos Pearl Jam dos últimos dez anos. Com este início as infundadas dúvidas que poderiam existir sobre a possível inferior qualidade deste concerto a solo rapidamente se dissiparam.

Com as frases “Did I say that I need you? Did I say that I want you?” ainda na cabeça de todos, Eddie Vedder não deu descanso aos fãs de Pearl Jam ao continuar a sequência de músicas da discografia da banda de Seattle, “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”, “I Am Mine” e “Immortality”, todas de diferentes fases da banda, mas todas bem recebidas.

Entretanto, Eddie já tinha tentado, como habitualmente, falar em português com o público com a ajuda de umas cábulas, mas reconhece, brincando, que com tantos concertos que já deu por cá que já deveria falar melhor a língua. O público não se parece importar e adora as suas tentativas. É mais que óbvio que Eddie Vedder se sente em casa em Portugal e nós queremos que ele esteja cá sempre, apesar dos preços das casas da capital o poderem afastar disso (pode inquirir tal questão com a sra. Madonna).

Sempre muito bem disposto, Eddie espalhava descontracção e graciosidade em cada palavra e acção, e este concerto era mais do que uma tentativa de fazer o seu trabalho e receber o seu cachêt no final. Era um reencontro de amigos que tinham muito para falar, um ano depois da última vez que se viram. E falando em amigos, Eddie trouxe com ele Glen Hansard, não só para fazer a primeira parte do espectáculo (empolgante e que deixou o público rendido, aplaudindo-o de pé no final), mas também para o ajudar nalgumas músicas. A primeira foi “Long Nights”, mais outra música tirada da banda-sonora do filme de Sean Penn “Into the Wild”. E a seguir veio o maior momento da noite, “Black”.

Com Glen na guitarra, a Red Limo String Orchestra por trás e Eddie a caminhar pelo palco de microfone na mão, deu-se um momento que nem o neuralizador dos Men In Black conseguiria apagar. O hino dos corações partidos que todos conseguem perceber e sentir. Uns cantando, outros gritando “We belong together”, mas todos de pé, a verdade é que poucas terão sido as vezes em que a Altice Arena recebeu tal declaração de sentimentos por parte do público. Até ao encore “Parting Ways”, “Better Man”, “Lukin” e “Porch” mantiveram as rotações em alta.

Encore começado com duas covers, “I’m So Tired” dos Fugazi e “Imagine” de John Lennon. Apesar de antes do concerto ter sido pedido aos espectadores que não usassem os telemóveis durante a actuação, Eddie pediu antes da “Imagine” que todos ligassem a lanterna dos telemóveis para ajudar a criar um ambiente magnífico, tal como aconteceu no Super Bock Super Rock de 2014, onde apresentou pela primeira vez essa cover, e uma noite que o próprio guarda na memória. O público correspondeu e mais um momento alto foi registado.

 

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I bloody love this man… EV in Lisbon..

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A caminho do final do concerto, Eddie teve ainda tempo para interagir mais de perto com vários dos presentes no pavilhão, como a pequena Inês que fazia anos naquela noite e teve direito a uma canção de parabéns de um dos maiores nomes da música. Pode ainda não perceber o momento que teve devido à sua tenra idade, mas não serão muitos que poderão dizer que receberam tal prenda no seu dia de aniversário. O músico interagiu ainda com uma fã que tinha um cartaz que tinha escrito “Your Music Saved My Sanity” ao qual o músico prontamente respondeu, agradecido, que isso é o poder da música, e que também o ajudou a reconhecer e a ultrapassar alguns problemas próprios, como o alcoolismo. É nestas coisas que um concerto de Eddie Vedder a solo se diferencia e muito de um concerto de Pearl Jam. Sim a discografia dos Pearl Jam é melhor e maior, mas é difícil não sair de coração mais repleto vendo Eddie a solo do que os Pearl Jam ao vivo.

Para terminar Eddie deixou os seus maiores êxitos a solo, “Society” e “Hard Sun” e estava a festa terminada. Até voltar para um segundo encore ao som de “Rockin’ in the Free World” que já é quase mais sua do que de Neil Young.

Eddie Vedder é uma das maiores personalidades do rock e ficará para sempre marcado nos livros do género, não só por ter escrito algumas das músicas que definiram o Grunge mas também por ser alguém que é possível seguir sem temer. Numa altura em que vemos heróis passados a serem desmascarados num estalar de dedos e quando não vemos figuras novas a alcançar esse estatuto é sempre interessante assistir às autênticas procissões que existem em Portugal quando Eddie (a solo ou com os Pearl Jam) actua no nosso país. Vemos milhares de pessoas, de diferentes géneros e credos, a rumarem de Norte a Sul do país (ou de qualquer parte do mundo) para ver uma pessoa a tocar umas músicas em acústico no seu quarto. O poder que a música tem numa pessoa. És sempre bem-vindo “tio” Eddie.

 

SETLIST EDDIE VEDDER

Alive (Pearl Jam song) (with Red Limo String Quartet) (strings only)
Far Behind
Just Breathe (Pearl Jam song) (with Red Limo String Quartet)
Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (Pearl Jam song)
I Am Mine (Pearl Jam song)
Immortality (Pearl Jam song)
Trouble (Cat Stevens cover)
Wishlist (Pearl Jam song)
Portugal (Pearl Jam song)
Driftin’ (Pearl Jam song)
I’m Open (Pearl Jam song)
Off He Goes (Pearl Jam song)
Satellite (with Red Limo String Quartet)
Long Nights (with Glen Hansard)
Black (Pearl Jam song) (with Glen Hansard) (also with Red Limo String Quartet)
Parting Ways (Pearl Jam song)
Better Man (Pearl Jam song) (with Red Limo String Quartet)
Lukin (Pearl Jam song)
Porch (Pearl Jam song)

Encore 1:

Jeremy (Pearl Jam song) (with Red Limo String Quartet) (strings only)
I’m So Tired (Fugazi cover)
Imagine (John Lennon cover)
Song of Good Hope (Glen Hansard cover) (with Glen Hansard) (also with Red Limo String Quartet)
Smile (Pearl Jam song) (with Glen Hansard) (also with Red Limo String Quartet)
Society (Jerry Hannan cover) (with Glen Hansard) (also with Red Limo String Quartet)
Hard Sun (Indio cover) (with Glen Hansard) (also with Red Limo String Quartet)

Encore 2:
Indifference (Pearl Jam song)
Rockin’ in the Free World (Neil Young cover) (with Glen Hansard) (also with Red Limo String Quartet)

 

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Créditos: Tiago Cortez / Everything is New

SETLIST GLEN HANSARD

Grace Beneath the Pines
Fool’s Game
I’ll Be You, Be Me
When Your Mind’s Made Up (The Swell Season song)
Shelter Me
Way Back in the Way Back When
Devil Town (Daniel Johnston cover)
This Gift

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