Neste solo, Matija Ferlin adota o espírito da Paixão Segundo São Mateus de Johann Sebastian Bach. O título, traduzido do croata, quer dizer Agora, sou Mateus. Numa colaboração com o dramaturgo Goran Ferec, a peça discute o tema da morte, sofrimento, tentação, sensualidade, relação entre o indivíduo e a sociedade, traição e perd��o, servindo-se de narrativas pessoais e de uma análise metafísica das mortes complicadas e angustiantes na família de Ferlin. O diálogo estimulante que se desenrola é de uma beleza singela: entre uma pessoa do século XXI e um ponto alto da música sacra protestante, entre um corpo em tensão e um ritual fúnebre canónico, entre o indivíduo e a civilização. O vocabulário de movimentos exato de Ferlin leva o duplo sentido da palavra paixão ao limite. Preso entre dor e paixão, expõe o público e ele próprio ao primado da música