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David Fonseca em entrevista ao CA Notícias

David Fonseca lançou recentemente o seu novo álbum “Radio Gemni”, uma produção que foi sendo elaborada nomeadamente em viagens e hotéis, o que torna este álbum numa experiência nova em relação aos seis álbuns anteriores. Neste momento, “Oh My Heart”, e “Lullaby” já têm videoclips lançados.

O CA Notícias esteve um pouco à conversa com o cantor que nos falou um pouco sobre este novo trabalho.

CA Notícias: Fala-me acerca de “Radio Gemni”. O álbum saiu há pouco tempo mas como achas que tem sido recebido?

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David Fonseca: Tem sido um feedback muito positivo porque é um disco variado e algo arriscado em vários sentidos. O feedback que eu tenho tido durante a semana de lançamento tem sido incrível, seja do público ou da crítica. Tem sido uma surpresa toda a receptividade que o disco tem tido.

CA: Achas que o facto de completares 20 anos de carreira teve influência no fio condutor por detrás deste trabalho?

David Fonseca: Não, nenhum. Sinceramente nunca pensei no “há quanto tempo estou a fazer isto”, não faço a mais pequena ideia. Aquilo que eu queria era fazer um disco novo, mas o peso do tempo não teve influência no trabalho, pelo contrário.

CA: O que distingue este álbum dos teus trabalhos anteriores? Qual o fator distintivo?

David Fonseca: Muitas coisas. Do último disco difere imenso porque o disco era todo em português, logo por aí é muito diferente. Depois eu acho que a principal diferença tem a ver com uma abordagem um bocadinho mais radical dos temas e na diversidade que eles têm.

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Foto: Universal Music Portugal

Além disso, é um disco muito mais festivo comparado com discos que tive no passado. Tem um estilo um bocadinho mais de festa, de viagem, acaba por ser muito diferente do que eu fiz no passado.

CA: Podes-me dizer alguns dos nomes que colaboraram contigo neste trabalho?

David Fonseca: Eu normalmente trabalho muito sozinho e este disco acaba por não ser muito diferente dos outros. Mesmo assim colaborei com alguns dos meus músicos, com quem costumo colaborar, como o Sérgio Nascimento ou o Paulo Pereira.

Depois colaborei com uma cantora espanhola que se chama Alice Wonder que vai lançar o seu primeiro disco agora em finais de agosto e que é uma grande promessa da música espanhola que está a dar muitas cartas em Madrid, Espanha. Eu convidei-a para este disco e apaixonei-me literalmente pela voz dela. É absolutamente inacreditável e quis que ela fizesse parte do disco, ela aceitou e assim foi.

CA: Como foi conhecer a Alice Wonder pessoalmente e trabalhar com ela? Como foi a vossa interação?

David Fonseca: Olha, foi simples. Quer dizer, de facto, eu era fã da rapariga há imenso tempo porque quando ela cantava tinha uma voz incrível. Depois convidei-a e ela aceitou, acabamos por nos conhecer aqui em Lisboa porque ela veio para cá gravar. Durante uns dias falamos um com o outro e acabamos por ter uma interação interessante. Eu tenho a certeza que muita gente vai ouvir falar dela.

CA: Tendo em conta o facto de muitas músicas deste álbum terem sido inspiradas da tua passagem por vários sítios, há alguma história em particular que te lembres enquanto estavas a produzir este álbum?

David Fonseca: Este álbum está cheio de tempos e contratempos porque como foi feito muito em movimento e com um estúdio meio móvel, acaba por ser um disco que tem muitas limitações. Eu lembro-me de gravar, por exemplo, em quartos de hotel muitas vozes deste disco e montar um mini estúdio ao lado da cama e depois ter horas de gravação que só podiam ir até às 8 ou 9 da noite porque depois se me pusesse para lá aos berros no meio da noite no hotel isso não era possível.

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Foto: Universal Music Portugal

Há muitas coisas que foram feitas nesse registo de “agora vou para um hotel”. Lembro-me que, por exemplo, estávamos a fazer o espetáculo do Leonard Cohen e eu estar a tarde toda a fazer as vozes num quarto de hotel. Isso aconteceu em várias alturas e em vários sítios diferentes o que acabou por fazer do disco uma espécie de manta de retalhos de todos os sítios por onde passou.

CA: Desde que começaste até hoje que tipo de transformações tens sentido na tua carreira e vida pessoal? Imaginavas que a tua carreira chegasse onde chegou hoje?

David Fonseca: Não, sinceramente nunca pensei que fizesse sequer da música a minha vida. Nunca foi uma coisa que eu ambicionava assim tanto. Mas acabou por me acontecer porque, de facto, cada disco leva sempre a outro. Sempre que fazia um disco era uma questão de dois anos até estar a pensar e estar totalmente compenetrado no disco que viesse a seguir.

E uma coisa boa leva sempre a outra na minha vida profissional e foi isso que me fez chegar até aqui. Nunca tomei uma decisão de “olha vou fazer da minha vida música”, mas foi muito mais o facto de as coisas irem acontecendo e levaram-me até aqui. Não foi uma decisão, foi mais um resultado do dia a dia.

CA: Mas caso não tivesses da música uma prioridade, ou caso não tivesse resultado qual teria sido o teu “plano B”?

David Fonseca: O meu plano B era ser fotógrafo. Desde o início de 97 ou 98 que era isso que eu queria fazer. Na altura queria algo ligado à área da imagem… ou então não! Sabe Deus o que teria acontecido se eu não tivesse sido músico. Ninguém sabe, não é? Ninguém sabe o plano B a não ser que o efetue.

CA: O que achas que mudou nas carreiras musicais em Portugal de há 20 anos para cá? Qual a diferença entre ser músico em Portugal há 20 anos e ser músico atualmente?

David Fonseca: Eu acho que agora é um bocadinho mais difícil porque há 20 anos, para já, não havia tantas bandas. Não haviam tantas bandas a fazerem sistematicamente canções e discos.

Mas acho que atualmente há uma coisa positiva que é o facto de hoje em dia é muito fácil para qualquer pessoa fazer um disco se quiser, bastando ter um computador e acesso a meios de gravação. Dantes isso era literalmente impossível, ou era muito difícil para conseguir gravar um disco e pôr essa máquina toda em andamento para que as pessoas ouvissem o que um músico estava a fazer.

Era complexo. Havia poucas bandas em Portugal que o faziam com eficácia. Era muito complicado não estar associado a uma editora na altura e conseguir ter um impacto grande no público.

Hoje em dia as coisas não são bem assim porque o YouTube e todas essas plataformas acabaram por diversificar bastante a forma de chegar ao público. No entanto, isso faz com que a concorrência seja inacreditavelmente gigante. Isso faz com que seja difícil para uma nova banda conseguir penetrar no mercado de alguma maneira.

CA: Mas de certa formas vês vantagens na Internet e nas redes sociais? Achas que há mais vantagens ou também há algumas desvantagens que convém relevar?

David Fonseca: Isto é como em tudo: há vantagens e desvantagens. Uma grande vantagem é qualquer pessoa poder ter acesso a ou postar a sua música (ou o que quer que seja) numa rede social.

Mas temos que pensar que ao democratizar esse acesso, no fundo, o que se está a fazer é dizer a 10 mil pessoas que vão pôr todas as suas canções e todos os seus desejos nas Redes Sociais e na Internet. Isso faz com que este meio se torna numa mistura gigantesca entre tudo o que há de bom, de médio e de péssimo no mesmo sítio.

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Foto: Universal Music Portugal

Por exemplo eu acho muito mais difícil, hoje em dia, encontrar música, do que era há dez ou 15 anos atrás porque há tanta palha num meio que uma pessoa poderia gostar de descobrir, que se torna difícil. Eu sou um grande fã dos ITunes e das listas automáticas que eles fazem que nos permitem descobrir música.

Mas graças a um algoritmo que escolhe música para mim todas as vezes que eu vou ver uma playlist, se ela tiver 50 músicas eu só vou gostar de duas, o que faz com que eu seja quase obrigado a ouvir 48 de que não gosto. Mas ainda assim estou a ouvir por causa da democratização da Internet. Por um lado é bom, mas por outro lado [a Internet] acaba por ter um papel um bocadinho mais difícil.

CA: Para os nossos leitores no CA Notícias: pelas tuas palavras, o que é que eles podem esperar ao obter o teu novo álbum?

David Fonseca: Podem esperar uma grande festa. É um disco que não vai deixar ninguém indiferente porque é uma espécie de experiência festiva à volta de vários géneros musicais, digamos assim. Não existe apenas uma coisa no disco: existem várias. Acho que nesse sentido é um disco muito bom para descobrir porque acaba por ser uma aventura. Ninguém sabe muito bem ao que vai, mas de certeza que vai encontrar alguma coisa com que se sinta mais familiarizado e, espero eu, surpreendido.

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