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Crítica – “A Paixão de Van Gogh”

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“A Paixão de Van Gogh” é um exercício cinematográfico merecedor de ser visto no cinema, não só pela exibição (espectacular) de arte, mas por tudo o que compõe o filme.

Vincent Van Gogh, considerado por muitos como o “pai da arte moderna e do expressionismo”, foi um génio incompreendido pelos seus contemporâneos, como infelizmente acontece com muitas artistas com semelhante genialidade. Tratado no seu tempo e por muitos dos seus vizinhos por onde passava como o “louco ruivo”, Vincent padecia de uma doença e instabilidade psicológica que na altura não era socialmente aceite, e como tal, desde cedo se sentiu como um ser inexistente. Após muitos anos a tentar cumprir com alguns dos ideais dos seus pais, Vincent dedicou-se à pintura com a ajuda do seu irmão Theo e foi sempre trabalhando, não só para criar obras artísticas magníficas, mas também para ser considerado normal, produtivo perante si e quem o rodeava. Infelizmente, a vida de Vincent não acabaria em glória, mas sim tragicamente numa cama em Auvers-sur-Oise, França após ter sofrido as consequências de um tiro de Revólver no peito durante dois dias.


Em suma, esta é a história do pintor holandês que muitos de nós conhecemos. “A Paixão de Van Gogh” vem contar-nos a história da sua vida, mas principalmente da sua morte. E confundir a ideia do espectador sobre como o pintor terá morrido. Terá mesmo sido suicídio ou homicídio? Hugh Welchman e Dorota Kobiela realizaram esta animação, pegando em duas teorias sobre a sua morte e levando o espectador a viajar durante um período aproximado de 90 minutos numa viagem pela descoberta dessas mesmas teorias.

“A Paixão de Van Gogh” é a primeira animação totalmente pintada à mão e ao estilo característico de Van Gogh. Para conseguir tal feito, foi necessário produzir mais de 65 mil quadros, realizados por mais de 100 pintores. O filme foi filmado primeiramente com actores em fundos verdes e depois os pintores acabavam por realizar quadros para animar as sequências e movimentação do filme. Este método de animação fez com que a produção durasse muito tempo, 7 anos para ser mais preciso.

Esta co-produção do Reino Unido e Polónia é impressionante visualmente. Não há nenhum segundo dos cerca de 90 minutos de duração da película em que não ficamos impressionados com o que vemos e soltamos várias onomatopeias de espanto. Nota-se claramente a dedicação e paixão que cada pintor e produtor dedicaram ao filme e à vida e (vastíssima) obra de Van Gogh, transparecendo no ecrã toda a humanidade e naturalidade das cenas.

A narrativa do filme é centrada numa carta que Van Gogh terá escrito antes da sua morte e que estaria endereçada ao seu irmão Theo. Joseph Roulin, o carteiro e amigo pessoal de Vincent no seu tempo em Arles, encontra essa correspondência um ano após o falecimento do pintor e impõe a tarefa da carta chegar a Theo ao seu filho Armand. Armand na sua procura por Theo, descobre que ele também já tinha falecido, e decide não só procurar um novo destinatório apropriado para essa última carta, mas também perceber o que aconteceu e ajudar a clarificar as dúvidas do seu pai e suas. A trama desenrola de forma interessante, explorando os últimos anos da vida de Van Gogh, tentando explorar a possibilidade de homicídio acidental levantado na biografia lançada em 2011 “Van Gogh: The Life” de Steven Naifeh e Gregory White Smith. Desta forma, animação consegue celebrar a obra de Van Gogh com a transposição de muitos dos seus quadros para o grande ecrã, apresenta-nos a vida e o homem e dá ainda ao espectador uma boa trama para acompanhar. Talvez o maior ponto negativo no filme seja o facto de ser demasiado focado nos últimos anos e na morte do artista e “despachar” o resto da sua vida, mas foi a decisão artística tomada.

Vale a pena a ida ao cinema, nem que seja apenas pela bela exposição de arte que vemos durante 90 minutos, mas “A Paixão de Van Gogh” é muito mais que isso e merece ser celebrado pelo filme que é. Musicalmente no ponto, imagens belas, com boas representações dos actores, conciso e interessante de acompanhar, “A Paixão de Van Gogh” (ou “Loving Vincent” se preferirem o nome original) consegue ser aquilo que muitos intervenientes da indústria pretendem produzir na sua carreira: um marco na história cinematográfica.

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