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Crítica: ‘In The Fade’ (Uma Mulher Não Chora)

'In The Fade' de Faith Akin apresenta-nos uma história trágica contemporânea e uma Diane Kruger na sua melhor prestação de sempre. O vencedor do Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, ficou no entanto fora das nomeações para os Oscars.
‘In The Fade’ de Faith Akin apresenta-nos uma história trágica contemporânea e uma Diane Kruger na sua melhor prestação de sempre. O vencedor do Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, ficou no entanto fora das nomeações para os Oscars.

Num momento em que o mundo ocidental vive sob a ameaça de atentados terroristas e o racismo e a intolerância são palavras (demasiado) presentes no nosso dicionário colectivo e usadas diariamente, é natural que muitas obras venham a incidir neste tema nos próximos anos.

‘In The Fade’, no entanto, oferece-nos algo que não se vê muito vindo de Hollywood. Uma história em que uma das vítimas é mais julgada do que quem comete a atrocidade, pelo facto de ser estrangeiro e de ter antecedentes criminais. O novo filme de Faith Akin, realizador alemão com descendência turca, foca-se na forma como lidamos com a morte de entes próximos, essa perda irreparável e a dificuldade em voltar a viver uma vida.

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A história do filme centra-se no processo de luto e de vingança de Katja (Diane Kruger) após a morte do marido e do seu filho menor num atentado à bomba. ‘In The Fade’ é um filme pesado, que dificilmente deixa o espectador descansado na abordagem destes temas. A prestação de Kruger é arrepiante, transmitindo em cada frame os seus diferentes estados de espírito e a implosão eminente da sua personagem. Se dúvidas houvessem, Diane Kruger é bem capaz de transportar o peso de um filme sobre as suas costas, se bem que aqui na sua língua materna, em alemão.

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É possível identificarmo-nos com Katja e sentirmos a sua dor, e isso só acontece através de uma interpretação intensa da actriz. E o filme acaba por destacar a prestação de Diane, sendo que as outras personagens e actores gravitam à volta de Katja.

‘In The Fade’ é dividido em três capítulos (o primeiro retrata o luto, o segundo o julgamento e o terceiro a vingança), em que Akin mostra bem a sua visão perante o ódio e o racismo premente e o filme apresenta-se como uma obra muito pessoal e íntima das ideias do realizador. Podemos não concordar com todas as direcções que a narrativa toma e com as acções levadas a cabo por Katja, mas sabemos que não há aqui um pingo de condescedencia ou tentativa de agradar o público, isto é uma obra de Akin, e segue o caminho que Akin definiu.

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Para ajudar o filme, a banda-sonora composta por Josh Homme, líder dos Queens of The Stone Age, consegue criar momentos arrepiantes e que nos invocam sentimentos mais fortes em relação às imagens que vemos na grande tela. O xeque-mate na primeira banda-sonora para um filme de Homme acontece mesmo no final com a ‘I Know Places’ de Lykke Li. Poucos finais me terão dado um arrepio na espinha como ‘In The Fade’ o fez. A escolha da música da sueca é brilhante, com a simples letra compreendemos a razão da decisão de Katja, e acaba por atenuar um 3º capítulo mais previsível e menos impactante.

https://canoticias.pt/entretenimento/filmes/in-the-fade-estreou-hoje-nos-cinemas-musica-josh-homme/

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‘In The Fade’ mostra-nos uma tragédia contemporânea e a visão de Akin sobre os conceitos de justiça, enquanto que Diane Kruger é assustadoramente emocionante no papel de Katja, a personagem principal que sofre pela morte do marido e do filho num atentado. Pode não ter sido nomeado para os Oscars na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, mas o vencedor do Globo de Ouro nessa mesma categoria merece a ida ao cinema.

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