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Crítica Cinema – “A Escola da Vida” (L’Ecole Buissonnière)

"A Escola da Vida" de Nicolas Vanier

“A Escola da Vida” (L’Ecole Buissonnière), do realizador francês Nicolas Vanier, conta a história de Paul (Jean Scandel), um jovem que vive num orfanato parisiense, mas a sua vida muda quando ele vai viver para o campo com a Sra. Celestine (Valérie Karsenti) e o seu marido Borel (Eric Elmosnino).


No centro da história está Paul (Jean Scandel), um órfão que sai do orfanato em Paris para ir viver para o campo com Celestine e Borel, que trabalham na propriedade do Conde de La Salle Fresnaye. O jovem acaba por estabelecer relações com vários adultos e de despertar interesse pelos encantos e segredos da floresta. No final, descobrimos que a sua relação com aquele lugar é inevitável.

A rodagem do filme foi em Sologne, conhecida pelos encantos naturais e local onde o realizador Nicolas Vanier viveu na sua infância. Por este motivo, o filme encontra-se intimamente ligado à sua visão e às suas memórias de vida. É um filme de autor, onde a visão do seu criador está presente a cada momento.

Escola Da Vida5As obras de Nicolas apresentam sempre uma relação especial entre a natureza e o ser humano. “A Escola da Vida” não é exceção. O realizador apresenta a região onde viveu na sua infância, enquanto transmite uma mensagem ecológica à sua maneira. São destaque de Nicolas os valores perdidos, o respeito e a relação do homem com a natureza. A mensagem verde encontra-se presente a vários níveis. Vemos, por exemplo, um caçador que mata de forma consciente, não matando mais do que o necessário para a sua subsistência.

Destaca-se a qualidade da fotografia, onde o filme presenteia o público com imagens elegantes da natureza, dando um tom doce e tranquilo a toda a sequência. Existem vários momentos onde as sequências de imagens apresentam um tom de documentário sobre a natureza, transformando as plantas e os animais da floresta em personagens do filme.

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O enredo apresenta alguma dinâmica e a história é harmoniosa e emotiva. No entanto, previsível. Ainda longe do desfecho já conseguimos vislumbrar o seu final, causando a ausência de surpresa que se deseja nas peripécias finais da narrativa. A história é digna de um excelente romance – ou conto de fadas – para crianças, mas também para adultos e as situações cómicas que vão sucedendo ao longo do filme levam-nos a seguir a história com alguma diversão.

Destaque ainda para o excelente desempenho dos atores. Desde o jovem Jean Scandel aos vários adultos que o acompanham, é visível a naturalidade e espontaneidade da sua interpretação.

“A Escola da Vida” apresenta-se como um ótimo filme, capaz de entreter, divertir e emocionar o espetador. É a prova de que o cinema europeu continua a ter lugar de destaque no panorama cinematográfico mundial.

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Sinopse

Paris, 1930. Paul (Jean Scandel) sempre teve como horizonte as paredes do orfanato, um edifício severo nas redondezas de Paris. Mas tudo isso muda quando vai viver para o campo com uma alegre senhora chamada Celestine (Valérie Karsenti) e o seu marido Borel (Eric Elmosnino), um homem rígido que trabalha numa vasta propriedade em Sologne. Teimoso por natureza, o miúdo da cidade chega agora a um mundo misterioso, uma região soberana e selvagem. A imensa floresta, os lagos enevoados, os pântanos, os descampados, tudo pertence ao Conde de La Salle Fresnaye (François Berléand), um taciturno viúvo que vive sozinho na sua mansão. O Conde tolera a presença de caçadores, mas Borel persegue-os sem piedade, em particular o mais esquivo e matreiro deles todos, Totoche (François Cluzet). No coração desta Sologne de conto de fadas e com a ajuda desse intrépido caçador, Paul, agora amante da natureza, vai aprender muito sobre a vida, mas também sobre a floresta e os seus segredos. Mas há um segredo ainda maior a pesar sobre a propriedade, pois Paul não chegou a Sologne por mero acaso…

  • Aldomiro Silveira

Aev Cartaz