Crítica Cinema – Aparição (2018)

de Fernando Vendrell

Aparição é o novo filme de Fernando Vendrell, baseado no romance de Vergílio Ferreira, com o mesmo nome. Este conta a história de amor entre um professor e escritor (Jaime Freitas), e uma jovem rapariga (Victória Guerra), que a princípio tem uma faceta bastante dramática e emocional, mas que perde o rumo e cai em desuso.Mg 3091

Alberto Soares é o novo professor num liceu em Évora. Depois de conhecer Sofia, uma jovem com algumas dificuldades em entrar em Direito, o escritor descobre uma certa atracção pela jovem que servir-lhe-á de inspiração literária. Este romance apresenta-se com uma certa força literária, intensificando-se com palavras profundas e conversas sobre latim. Contudo, os vários saltos temporais acabam por estragar este desenvolvimento, a princípio fluído, mas que acaba por ficar fragmentado.Mg 8120

As personagens não se desenvolvem com continuidade, sendo difícil acompanhar as suas motivações e interesses. No fim, esta acaba por ser uma história irrelevante com um fraco desenvolvimento psicológico. No entanto, é importante referir o desempenho da actriz Victória Guerra, que dá uma interpretação bastante boa da sua personagem, Sofia, sendo a constituinte do elenco que mais se destaca.Mg 0421

Aparição é a nova aposta do cinema português, mas que nada de novo ou de interessante traz ao mesmo. A realização de Fernando Vendrell não se destaca em nenhuma forma. O argumento tem vários saltos temporais que prejudicam imenso o desenvolvimento do enredo e a consistência das personagens. A nível estético, o filme tem a sua beleza, o que obviamente não chega para o favorecer.

40%

Aparição

  • Miguel Ângelo

SINOPSE:

Final dos anos 50. Um jovem escritor e professor, Alberto Soares (Jaime Freitas), tem a sua primeira colocação no Liceu de Évora, uma cidade rural, inóspita e moralista. Encontra-se com o médico local e amigo do seu falecido pai, o Dr. Moura (Rui Morisson), de quem logo se torna protegido e que o acolhe no seu núcleo familiar. Alberto deixa-se fascinar pelas belas filhas do médico: Ana (Rita Martins ), a mais velha, casada com o latifundiário Alfredo (Dinis Gomes), uma mulher inteligente, carente e frontal; Sofia (Victoria Guerra) uma jovem provocadora, sensual e inconsequente; e Cristina (Inês Trindade), a mais nova, um inatingível e inocente talento musical. Alberto começa a tomar notas para um futuro romance inspirado pela nova vida em Évora. No liceu, durante as aulas, expõe os seus pensamentos e impressiona um aluno em particular, Carolino (João Cachola). Ainda de luto pela morte do pai, as suas convicções existencialistas geram polémica na cidade provinciana e acaba por entrar em choque com Chico (Ricardo Aibéo), um intelectual frustrado, amigo da família e primo de Carolino. Entretanto, a obsessão de Alberto pela morte torna-se cada vez mais real e avassaladora, tornando-o na personagem central do livro que pretende escrever. O envolvimento de Alberto com a família do Dr. Moura resulta ainda numa relação amorosa e cúmplice com Sofia que, ao mesmo tempo, namora com Carolino, num triângulo amoroso que leva a uma rivalidade passional e inicia uma espiral de violência.