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À conversa com Maria do Mar Fazenda, diretora artística da Drawing Room Lisboa

A 1.ª edição da Drawing Room Lisboa, projeto curatorial focado no desenho contemporâneo, decorre na Sociedade Nacional de Belas Artes, de 10 a 14 de outubro. O CA Notícias esteve à conversa com Maria do Mar Fazenda, diretora artística da feira.


Maria do Mar Fazenda é curadora independente e investigadora no Instituto de História da Arte da Universidade NOVA de Lisboa. Neste momento, prepara a exposição Artist’s Film International para inaugurar em Outubro no MAAT. Destaca dos projectos curatoriais mais recentes: as exposições individuais de Miguel Ângelo Rocha, Spielraum  (galeria águas-livres 8, 2018) e de Sérgio Taborda, Desenhos-Acções  (Fundação Carmona e Costa, 2016), a exposição colectiva resultante do Prémio de Curadoria AMJP-EGEAC 2015 (Atelier-Museu Júlio Pomar, 2016) e a programação do Espaço Arte Tranquilidade 2012/2014. É membro da AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte, desde 2010.

Maria Do Mar Fazenda
Maria do Mar Fazenda

CA Notícias: Como surgiu a possibilidade de realizar a Drawing Room Lisboa?
Maria do Mar Fazenda: A minha colaboração com a Drawing Room Lisboa surge através do convite que a Mónica Álvarez Careaga, a diretora da Drawing Room, me dirigiu para fazer a direção artística da primeira edição lisboeta da feira. A realização da Drawing Room Lisboa surge da vontade da Mónica de acompanhar com o seu projeto de uma feira dedicada ao desenho, a vaga de feiras especializadas neste medium que têm vindo a afirmar-se no contexto artístico de várias capitais europeias, tais como: Drawing Now, em Paris; Works on Paper em Londres; Art on Paper em Bruxelas e a Paper positions que também se desdobra pelas cidades de Berlim, Munique e Basileia. Lisboa parecia ser a cidade que estava a faltar colocar neste mapa e circuito artístico dado que a cena artística portuguesa é de grande qualidade. E o desenho parece-me ser uma excelente forma de dar a conhecer o trabalho de um grupo alargado de artistas, porque o desenho é transversal a diferentes práticas artísticas. A meu ver, o desenho ou o ato de desenhar é uma forma de pensamento, de descobrir e de revelação própria dos artistas.

Mónica Álvarez Careaga, diretora da Drawing Room Lisboa, em entrevista ao CA Notícias

A 1.ª edição da Drawing Room Lisboa, projeto curatorial focado no desenho contemporâneo, decorre na Sociedade Nacional de Belas Artes, de 10 a 14 de outubro. O CA Notícias esteve à conversa com Mónica Álvarez Careaga, diretora da feira, sobre o significado e a importância da Drawing Room Lisboa.

CA: Pode falar-nos um pouco daquilo que podemos encontrar na Drawing Room Lisboa?
Maria do Mar Fazenda: A primeira edição da Drawing Room Lisboa vai ocupar o edifício da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) quase na sua totalidade ao longo de quatro dias de abertura ao público. Comecemos pelo foco que é claro a feira que reúne cerca de 20 galerias nacionais e internacionais que apresentam cerca de 50 artistas distribuídos por stands no lugar nobre desta casa: o Salão da SNBA. Entre os stands das galerias, cinco destas apresentam projetos solos de artistas que realizaram obras especificamente para a Drawing Room Lisboa. As restantes galerias optaram por apresentar entre dois e cinco artistas por stand, resultando em pequenas exposições sempre com o denominador comum do desenho. [Ver listagem de galerias aceites e artistas representados] Subindo ao primeiro andar da SNBA temos acesso à Programação paralela da Drawing Room Lisboa: um espaço dedicado à venda de edições, livros e catálogos em torno do desenho. Sendo uma extensão deste espaço editorial os lançamentos e apresentações de livros que se realizam na Biblioteca da SNBA, todos os dias de quinta a sábado às 20h, sexta e sábado, também, às 16h e no domingo, apenas uma sessão, às 14h. Também na Biblioteca da SNBA decorrerão as Millennium talks de quinta a sábado sempre às 18h e no domingo às 16h. Finalmente, na galeria Azevedo, no andar térreo da SNBA, será apresentada a exposição The Dangerous Plurality em que é reunido um núcleo de obras em desenho de artistas presentes na coleção PT.

CA: De que forma a Drawing Room Lisboa contribui para a dinamização cultural e artística em Portugal?
Maria do Mar Fazenda: A Drawing Room Lisboa contribui para a dinamização cultural e artística em várias frentes: por ser uma feira é uma montra para a compra e venda de arte acontecer, pela presença de artistas nacionais e internacionais há a possibilidade de haver troca entre diferentes meios e mercados e finalmente a exposição de obras e as apresentações destas por via dos principais agentes do meio (artistas, galeristas, colecionadores, curadores, diretores de museus, etc.) gera um evento que convida um público alargado e diverso a participar.

CA: Na sua opinião, que lugar ocupa a arte contemporânea no panorama cultural e artístico português?
Maria do Mar Fazenda: Na minha opinião, que não é imparcial, dado a arte contemporânea ser o meu meio, matéria e tema profissional, parece-me que deveria haver um lugar de destaque e relevo maior no panorama cultural e artístico português atual.

CA: O público português é recetivo a eventos de arte contemporânea?
Maria do Mar Fazenda: Não sou isenta mas sou otimista e a adesão e boa recetividade à Drawing Room Lisboa é sinal de que esse horizonte mais participado pela arte contemporânea e com maior representatividade dos seus principais atores: os artistas, começa a aproximar-se.

50 artistas e galerias de 7 países na 1.ª Edição da Drawing Room Lisboa – CA Notícias

A 1.ª edição da Drawing Room Lisboa reúne galerias de Portugal, Espanha, Grécia, França, Alemanha, Brasil e Colômbia. A 1.ª edição da Drawing Room Lisboa reúne 50 artistas, 19 galerias de 7 países e artistas como Ana Jotta, Joao Felino, José Loureiro, Luisa Cunha, Manuel San Payo, Maria José Cavaco, Martinho Costa, Miguel Palma, Nuno Henrique, Pedro A.H.

CA: Quer deixar alguma mensagem aos visitantes da Drawing Room Lisboa e ao público em geral?
Maria do Mar Fazenda: Venham ser surpreendidos pelas múltiplas possibilidades do desenho. Neste género de feiras especializadas no Desenho os limites são a técnica e o suporte do desenho:  papel. Eu gosto de pensar que na Drawing Room se expandiram estes contornos: o desenho pode acontecer sobre qualquer suporte – a limite pode ser uma ação – e o papel para além de servir de suporte do desenho pode ser trabalhado enquanto matéria, por exemplo, de uma obra escultórica. Venham descobrir do que se fala quando se fala de desenho expandido.

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