Baltazar Fortuna está zangado. Com os homens, com a vida, com Deus e consigo mesmo. Fortuna, só lhe coube a do nome. E, sobretudo, está zangado com as mulheres. Com as três mulheres da sua vida. Por isso volta a Xigovia – a pequena vila no Sul de Moçambique, onde elas vivem – com um objectivo claro: matar. Sim, matar. Matar o azar, varrer a má-fortuna e emendar a vida que escolheu viver, mas já não deseja. No processo, há que matar as mulheres também. São elas as culpadas, disso não duvida. Ele, que sempre teve medo das palavras quer redimir-se nos atos. O único obstáculo? Elas não querem colaborar, não lhes apetece morrer. Têm ideias próprias. Esse, sabe ele bem, é o problema do Mundo: andarem a meter ideias na cabeça das mulheres. Logo nelas, diz Fortuna, que ‘Desde Eva que andam em contramão’. A morte vai andar por Xigovia, isso é certo.
Autores: Mia Couto e José Eduardo Agualusa Dramaturgia: Mia Couto | Encenadores: Clotilde Guirrugo e Vítor Gonçalves Actores: Angelina Chavango, Horácio Guiamba, Joana Mbalango, Josefina Massango, Violeta Mbilane Figurinos: Sara Machado Cenografia: Évaro Abreu Música: Shigeru Umebayashi Som: Pedro da Silva Pinto Luz: Iodine e Quito Tembe Designer gráfico: Évaro AbreuCo-produção: FFLC – UEM/ECA/CCU
Informações Adicionais
Organização: Cendrev – Centro Dramático de ÉvoraApoios: Ministério da Cultura, Direcção Geral das Artes, RTCP – Rede de Teatro e Cineteatros Portugueses e Câmara Municipal de Évora