Análise Gaming | “The Division 2”

A Ubisoft aprende com os erros.

Infelizmente Tom Clancy faleceu em 2013, por problemas de coração, e para trás deixou um legado de obras, muitas delas adaptadas a jogos e a filmes, como o famoso filme de Ben Affleck e Morgan Freeman: “A Soma De Todos os Medos”. Já nos videojogos tivemos mais do que uma mão cheia de Splinter Cells, Rainbow Six, Ghost Recalls e, agora, chega o The Division 2.  Se se lembram do primeiro The Division, foi um jogo que saiu com alguns problemas e que, com o tempo, foi melhorado… e bastante. Mas será que eles aprenderam com os erros do passado?

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Washington D.C. é a cidade escolhida para este jogo. Ao contrário da icónica Nova Iorque, que nos foi apresentada no primeiro jogo, esta cidade não é tão famosa como Nova Iorque, apesar de ser a capital, mas já tantos filmes e tantos jogos retrataram Nova Iorque que, quando jogamos o primeiro, quase nos sentimos em casa, mesmo que nunca tenham estado na Big Apple. Já neste não temos essa sensação… Portanto, já sabemos que houve o ataque bioterrorista na Black Friday, no qual Nova York caiu de joelhos juntamente com outras cidades, incluindo a capital Washington D.C. Enquanto que, no primeiro jogo, mostraram-nos os eventos imediatamente após este incidente, com a chegada da segunda onda de agentes da Divisão em Nova York; este The Division 2, em Washington D.C., mostra uma cidade a lutar numa situação de emergência assimilada e nós entramos em acção para recuperar a cidade. Para tal,  entramos em contato com aqueles que já lá estão a trabalhar para tentar recuperar um certo nível de normalidade.

Do ponto de vista narrativo, assim como seu predecessor, The Division 2 não é espantoso, sendo mais focado no Co op online do que propriamente na história. Porém, tens bastantes colecionáveis espalhados em toda a cidade, para assim aumentar os conhecimentos sobre o que aconteceu por causa do vírus.

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Tal como na beta aberta, The Division 2 começa com a chegada à Casa Branca, onde é a nossa base de operações. Felizmente, não encontramos o Trump, nem o Obama, mas vemos logo que a base do jogo continua a ser semelhante à do primeiro, contudo com um leque mais alargado de possibilidades.

Inicialmente podes personalizar a tua personagem que, mais uma vez, é muda. Ou seja, juntamente com o Metro, este é o segundo triple A, que também saiu em março, em que a tua personagem não fala!

Depois, podes ir mudando tudo: desde vestimenta, a armas, a granadas, entre outros… tudo pode ser melhorado e a tua personagem vai evoluindo com um sistema de XP. Está bem mais fácil que o anterior, já que eles simplificaram a dinâmica de gerenciamento de equipamentos.

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Voltando às missões, a estrutura, na sua base, resume-se no confronto com ondas de inimigos, onde o nível de dificuldade dos bosses vai aumentando consoante o teu. Em relação ao primeiro, o problema da repetição é mantido, mas, desta vez, os cenários foram bem mais trabalhados e acaba por te fazer lembrar algumas batalhas, exactamente por causa do cenário. Alguns dos inimigos mortos vão deixando para trás mercadoria, dando-te oportunidade de melhorar o teu personagem sem ter de comprar materiais nas zonas seguras. Um dos maiores erros do primeiro era os inimigos que parecia que comiam balas ao pequeno almoço e nada acontecia… agora, só os bosses têm esse tipo de resistência. Esse aspecto foi bastante melhorado, tornando-o mais justo para o jogador. Temos também alguns gadgets que dão bastante jeito: dar vida, metralhadoras portáteis, etc…

A inteligência artificial está bem apurada. As unidades inimigas raramente permanecem no mesmo local, preferindo o trabalho de cerco contra o grupo de jogadores. Um conselho que deixo é que tenham em atenção, no campo de batalha, todos os flancos ou podes muito bem ser surpreendido por trás. Sendo assim, ao jogar, tenham sempre em atenção o tipo de combate que vão fazer… não avancem muito, sem ter a certeza que é seguro.

Tal como quase tudo neste jogo, é possível personalizar alguns aspectos da arma que temos em mãos, tornando-a mais adequada ao nosso estilo de jogo.

Depois de acabares todas as missões principais do jogo, vais desbloquear novidades. Os teus inimigos criam locais fortemente protegidos que podes e deves ir investigar, matando tudo o que se mexe pelo caminho. Estes locais são como missões que, a meu ver, até são grandes demais. Quando acabas isto, um novo tipo de inimigo surge, com ainda maior poder de fogo! O jogo vai introduzir constantemente novos perigos…  mesmo depois de o acabares! É incrível o trabalho desenvolvido pela Ubisoft neste sector, em que muitos nem dão importância.  

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Este é um jogo para jogar em Co Op seja com amigos, seja com malta que simplesmente está a jogar o jogo. E é bastante fácil encontrar malta a jogar e juntar-te a eles nas missões. Aliás, é a melhor maneira também de progredir durante o jogo. Sinceramente, tive uma excelente experiência co op, adorei a simplicidade com que inicias uma sessão… e na velocidade com que estás a jogar online, tudo é muito simples e fácil.

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O jogo da PS4 Slim raramente perde o seu frame rate, mas nota-se, em algumas parte, os gráficos a bugarem. Não é nada de preocupante e, tendo em conta o tamanho do jogo, é perfeitamente normal. Penso, com toda a certeza, que é um aspecto que irá ser tratado numa próxima actualização.

No que diz respeito ao setor de áudio, esperava uma melhoria em relação ao primeiro, coisa que não consegui notar. Experimentei o jogo com as vozes em português do Brasil e achei a dobragem péssima. Em contrapartida, a versão em inglês está, realmente, muito boa.