A acção de A Senhora Ministra remete para alturas em que os conflitos e tensões de vária ordem fazem crescer o clima de agitação no país. Seja nos últimos tempos da Monarquia em Portugal, quando este texto foi escrito, ou noutros momentos posteriores.
Acompanhando a efervescência que acompanhava a constante queda de
ministérios e ministros, também as “senhoras ministras”, ou seja, as mulheres dos ministeriáveis, promovem entre si guerras de bastidores e conspirações de vizinhas, (quase) tão maquiavélicas quanto as lutas do poder. Madalena é casada com António, um promissor carreirista. Com a queda de um ministério, o chefe do partido a que António pertence passa a Governo e António tem um lugar assegurado como Ministro, o que faz de Madalena… Ministra.
Mas há mais mulheres interessadas em que os seus maridos passem a ministros. É o caso de Conceição, que, com a ajuda da vizinha Isabel, arma uma intriga contra os ministeriáveis: entrega a Madalena uma carta de António que a amante lhe escreveu, desencadeando uma crise conjugal e fazendo perigar a chegada de Madalena a Ministra.
Uma comédia divertida e satírica acerca da mesquinhez da política portuguesa do final do século XIX, bem actual nos dias que correm.