A viagem começou numa cave na Madeira em 2013 e atingiu o seu auge esta noite no Porto. Os Napa (Francisco Sousa, João Guilherme Gomes, João Rodrigues, Diogo Góis e João Lourenço Gomes) subiram ao palco do Coliseu Porto Ageas para o primeiro de dois concertos históricos nos Coliseus, provando que o sucesso meteórico de 2025 não foi um acaso, mas o culminar de anos de estrada e cumplicidade.
O ambiente no Coliseu era de celebração pura. Quando os primeiros acordes de “Deslocado” — o tema vencedor do Festival da Canção 2025 e fenómeno global no TikTok — ecoaram, a sala explodiu. O que começou por ser uma ode às raízes madeirenses e ao sentimento de viver fora da ilha, tornou-se o hino de uma geração que esgotou a plateia em pé e as tribunas.
A energia indie-rock da banda, herdada da influência de grupos como Capitão Fausto ou Ornatos Violeta, preencheu cada canto da sala. “Isto é completamente surreal. Ver que as pessoas pagaram para nos ver. Nunca pensamos estar aqui hoje com vocês a celebrar”, confessou visivelmente emocionado o vocalista João Guilherme Gomes, perante uma plateia que não parou de aplaudir a banda.

Apesar de “Deslocado” ser o íman de novos fãs, o concerto foi uma viagem completa pela discografia do grupo. Temas do álbum de estreia (“Senso Comum”, 2019) e do mais recente “Logo Se Vê” (2023) mostraram a evolução de um grupo de amigos que mantém a “fórmula amadora e inocente” das composições, agora com a maturidade de quem já pisou palcos internacionais como o da Eurovisão em Basileia.
“Sol” e “Na Lua” foram os primeiros pontos altos da noite, deixando o público de pé (mesmo quem estava sentado na tribuna). “Isto está forte”, confessou o vocalista dos NAPA que, sem pausas entre músicas, deu todos os temas que os nortenhos queriam ouvir. “Jeito para Tudo”, “Amor de Novo”, “Interludio”, “Gigantes” ou “Volta e Meia” não ficaram de fora.
O palco, embora preparado para a grandiosidade da noite, manteve momentos de grande proximidade. Van Zee apareceu de surpresa no Coliseu do Porto para atuar com a banda. Os artistas interpretaram o tema “Infinito”, deixando o vocalista João Guilherme Gomes emocionado, recebendo uma ovação em pé. Recorde-se que a letra da canção retrata o luto e a eternidade das memórias de um amigo de infância que morreu cedo.

“Aparentemente”, “Senso Comum”, “Areia”, “Luz do Túnel”, “Se eu morresse amanhã” ou “760” também fizeram parte do alinhamento.
O concerto de hoje marcou também o arranque desta mini-tournée de celebração, que seguirá para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, já no próximo dia 30 de janeiro.
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