Crítica: Dumbo (2019)

Um filme de Tim Burton

Dumbo é a nova aposta “live-action” da Disney e também o novo trabalho cinematográfico de Tim Burton. Uma história muito bem contada e com um belíssimo trabalho de arte visual, mas que carece da magia e da originalidade típica do realizador. Mais um produto com o celo Disney, sem grandes desvaneios nem decisões arriscadas.

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Max Medici (Danny DeVito), dono do circo, convoca a ex-estrela Holt Farrier (Colin Farrell) e os seus filhos, Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins), para cuidarem de um elefante recém-nascido, cujas orelhas enormes fazem dele motivo de piada, num circo já em declínio. Mas, quando descobrem que Dumbo consegue voar, o circo volta à ribalta, atraindo o persuasivo empresário V.A. Vandevere (Michael Keaton). Esta é a história a que o argumento de Ehren Kruger se propõe a contar, e que é bem-sucedido a fazê-lo. O enredo nunca tem momentos redundantes, ou de pouca coesão. Tudo é bem desenvolvido e estruturado, algo favorecido também pela montagem, de modo a contar a história como um conto de fadas da Disney.

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Aqui deparamo-nos com aquele que é o maior defeito do filme. Apesar de ser muito bem idealizado em guião, o filme não deixa de ser um produto da Walt Disney Pictures, que segue um caminho rigoroso, certamente por imposição da produtora, sem arriscar muito nem fugir da fórmula que já trouxe grandes sucessos à Disney. Dado que esta longa-metragem tem direcção de Tim Burton, conhecido pela sua capacidade imaginativa incrivelmente original, e por uma estética artística e narrativa próprias, é inevitável não sentir que este filme sabe a pouco e que perdeu imenso potencial ao não aproveitar o reportório e as capacidades cinematográficas do realizador.

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Para além disto, a prestação do elenco não se destaca de modo algum, sendo sempre mediana e adaptada à linguagem da Disney. Actores como Danny DeVito, Eva Green e Michael Keaton, que já trabalharam com o cineasta noutros filmes em que se destacaram bastante, como Batman Returns (1992), Dark Shadows (2012) e Beetlejuice (1988), acabam por não ser valorizados.

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Dumbo consegue corresponder às espectativas e desiludir ao mesmo tempo. Analisando-o como um novo produto da Disney, esta é mais uma adaptação em “live-action” muito bem feita, que irá deslumbrar o seu público com a sua já habitual magia. Contudo, quando observado como um novo trabalho artístico de Tim Burton, e pensando em toda a sua carreira, o filme podia ser bem melhor do que é, deixando-se aquém das espectativas. Falta-lhe originalidade e um pouco mais de liberdade para pensar fora da caixa.

70%
Da Disney e do visionário realizador Tim Burton, a nova e extraordinária aventura de ação real DUMBO, desenvolve-se a partir do clássico e acarinhado conto, onde as diferenças são celebradas, a família é valorizada e os sonhos ganham asas. O dono do circo, Max Medici (Danny DeVito) convoca a ex-estrela, Holt Farrier (Colin Farrell) e os seus filhos, Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins), para cuidarem de um elefante recém-nascido, cujas orelhas enormes fazem dele motivo de piada, num circo já em declínio. Mas, quando descobrem que Dumbo consegue voar, o circo volta à ribalta, atraindo o persuasivo empresário V.A. Vandevere (Michael Keaton), que recruta o peculiar ser para o seu mais recente parque de diversão, o Dreamland. Dumbo eleva-se para novos voos ao lado da encantadora e espetacular artista aérea, Colette Marchant (Eva Green), até Holt descobrir que atrás de todo o brilho, a Dreamland está repleta de segredos sombrios.
  • Miguel Ângelo