Crítica Cinema – The Happytime Murders (Pela Hora da Morte)

Os bonecos de Henson voltaram ao grande ecrã nesta semana, mas estes não são os fantoches a que estamos habituados. “The Happytime Murders” (Pela Hora da Morte) trazem sexo e violência a rodos num mundo em que os bonecos cedem aos vícios humanos e são relegados racialmente. Eis a nossa análise ao filme.

Os Marretas foram alvo de uma espécie de renascimento no cinema com o filme homónimo de 2011 e que contava no elenco com Jason Segel e Amy Adams. O Kermit (Sapo Cocas em português) e amigos regressaram em grande com um filme bem recebido pelo público e que valou um Óscar à produção. Sete anos depois, e já parece que a Muppet Fever já esfriou. De lá para cá já saiu uma sequela e uma série na ABC, no entanto, nenhuma das obras captou a atenção por muito tempo.

Eis que chega agora “The Happytime Murders” (Pela Hora da Morte), um filme que não nos traz as personagens que todos conhecemos, mas traz-nos fantoches fofinhos a contracenar com actores conhecidos de Hollywood como Melissa McCarthy, Elizabeth Banks ou Joel McHale. A diferença maior é que “The Happytime Murders” não é um filme para todas as idades, longe disso. Esta é uma comédia adulta, que subverte o aspecto amoroso das personagens.

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Em “The Happytime Murders” encontramos Phil Philips, um boneco detective que fez história ao ter sido o primeiro polícia da sua espécie. Mas no momento em que nos é apresentado, Phil está num momento mais baixo da sua vida, tal como é habitual nos filmes noir. Caso não saiba de nada à partida, este filme inicialmente dá ideia de querer pertencer ao género noir, e com uma inteligente conotação com o racismo e problemas subjacentes à sociedade actual.

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Isso é (quase) atirado borda fora, mal começa o humor a ganhar forma no argumento. E se de início tem piada ver fantoches a ver (e a fazer) pornografia, ao final de algum tempo sente-se que os argumentistas cansaram-se e foram recorrendo às piadas fáceis e à gimmick de que ver fantoches fofos a fazer coisas de adulto, a ceder aos vícios da vida é engraçado.

Phil analisa durante o decurso da história os homicídios dos membros do “The Happytime Gang”, uma popular sitcom dos anos 90. E o filme passa genericamente de homicídio em homicídio até ao encontro final de Phil com a personagem que os tem cometido. O argumento não é muito imaginativo, tentando dar-nos uma comédia policial ao qual já estamos mais que habituados, mas polvilhado com os excessos dos bonecos.

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A mestria de controlo dos bonecos é boa, e a criação das relações entre Phil e a sua ex-colega da polícia Connie Edwards (Melissa McCarthy) ou a sua secretária Bubbles (Maya Rudolph) é bem realizada, com ambas as actrizes a denotarem uma grande química com o “boneco” Phil, fazendo esquecer a pouca naturalidade de realizar aquelas cenas com um fantoche.

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“The Happytime Murders” é um filme capaz de arrancar umas boas gargalhadas durante a sua hora e meia de filme, mas não trazem nada de novo nesta altura. Muitos dos momentos bons a que assistimos neste filme, provavelmente já os vimos a serem entregues de melhor forma numa “Avenida Q”, em “Who Framed Roger Rabbit?” ou até mesmo em episódios de séries como “Family Guy”. E pensando bem, a premissa deste filme é interessante, mas inserida num guião de filme genérico, acaba por se perder. Viria com melhores olhos a adopção deste universo a uma série do que o que foi feito neste caso. Esperamos, no entanto, sempre para ver o que sai da “fábrica” Henson.