Crítica: “A Bela e o Monstro”

A Bela e o Monstro, tomou de assalto as salas de cinema portuguesas conseguindo atrair a atenção de 55% do público que foi ao cinema no fim-de-semana da estreia.

A história universal e o imaginário que já influenciou tantas gerações – o clássico da Disney foi lançado em 1991 – alia-se a uma componente visual deslumbrante neste remake em live-action que garante um reacender da chama do público por esta história. 

Nessa comparação, temos uma dicotomia entre as duas versões: a fidelidade quase frame por frame em relação à versão animada em contraponto com os quarenta minutos adicionais de acção (cuidadosamente pensados) em relação à primeira versão.

Tanto a história da Belle (Emma Watson) como a do Príncipe/Monstro (Dan Stevens) aproveitaram esses minutos adicionais para um maior desenvolvimento quer da sua relação, quer do seu passado. Por exemplo, são revisitados os falecimentos das mães de ambas as personagens em momentos de alto tom dramático, que não se encontra na versão animada.

Na versão de 1991, Belle apresentou-se como uma das “princesas” mais independentes da Disney mas neste filme chega a um novo patamar. A atribuição do papel a Emma Watson – que sempre se aliou à luta pela igualdade de direitos – assentou como uma luva. A delicadeza aliada às fortes convicções que defende são bem representadas por Emma, que a dada altura exclama “I’m not  a princess!” (“Não sou uma princesa!”).

Todo o elenco garante a consistência da qualidade do filme como é o caso de Maurice (Kevin Kline), Cogsworth (Ian McKellen), Lumière (Ewan McGregor) e a Mrs. Potts (Emma Thompson). As personagens em CGI são criadas sobre efeitos especiais de elevada qualidade e os cenários são produzidos ao detalhe, conferindo uma experiência fantástica (ainda mais se visto em IMAX).

Não podíamos fugir também ao tema que tanto debate causou mesmo em pleno século XXI… Este filme apresenta a primeira personagem homossexual no universo da Disney, levando ao cancelamento da exibição do filme em algumas salas de outros países. O que se pode dizer em relação ao assunto é simples, a forma cuidadosa como a sub-história de LeFou, interpretado por Josh Gad, é desenvolvida no enredo dificilmente fere as susceptibilidades de mentes mais conservadoras, causando uma real surpresa a quem esperava encontrar algo escandaloso que nunca chega a aparecer.

Num estilo cinematográfico que nos faz recordar a razão do sucesso da adaptação do filme em BroadwayBill Codon (Dream Girls, Chicago) pôde fazer o que sabe melhor – potencializar os inúmeros momentos musicais e levar a bom porto esta adaptação em live-action. 

Apesar de todos os pontos favoráveis, a decisão da Disney de produzir remakes em live-actions dificilmente tornará o filme melhor do que o seu original, criando constantemente no espectador a sensação de repetição de algo. Para além disso, as versões originais têm se mostrado intemporais e não se vislumbra que irão perder o lugar para algo assente numa produção de grandes efeitos visuais, uma vez que estes estão progressivamente a ser ultrapassados.

Assim, todas as idades têm motivos para ir ver este remake – quer seja por nostalgia ou para, finalmente, ficar a conhecer uma das histórias mais marcantes dos estúdios da Disney.