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“Ganha-se demasiado nesses lugares. É tudo excessivo”

O sushi e a pizza chegam. Rui Pedro Soares não para. Come, fala, bebe água de vez em quando, mas o palco é todo dele, só deixa espaço para algumas perplexidades minhas. Assim não ficaríamos tipo Cuba?, digo eu. Era por isso que queria comprar a TVI quando estava na PT, já que o Estado tinha, na altura, a golden share?

Rui Pedro Soares pousa os pauzinhos, agita a cabeça, suspira, embora esperasse a pergunta.

“Não, não. Não é nada disso, não é verdade. Vamos lá falar da TVI. Isso foi um erro, uma infantilidade minha.” Naquele instante duas crianças rodeiam a mesa aos pulos, mas Soares nem repara, está concentrado, podia cair uma mesa ali ao lado que ele não olharia. Está agora a voltar ao passado à minha frente: “A história foi esta: numa reunião na PT com a Media Capital, uma reunião das muitas que havia, eles dizem-nos…” Interrompo. Dizem a si ou também a Zeinal Bava e a Henrique Granadeiro? “Não interessa, era uma reunião normal, uma de tantas. Ora bem: dizem-nos que há um grupo nacional interessado em comprar 30% ou 35% da TVI e perguntam se queremos ir a jogo. Foi isto.”

Não foi só isso. Rui Pedro Soares foi a Madrid, tentou montar a operação, empenhou-se nela a fundo. O negócio iria custar à volta de 100 milhões de euros e colocaria o Estado com uma mão num canal à época muito crítico do governo. O comboio foi andando até que o jornal i, onde eu era diretor-adjunto, dá essa notícia e o assunto trava a fundo. “Sim, essa notícia… Aquele era um negócio que fazia todo o sentido. A PT estava a concorrer com a Zon. Ter conteúdos próprios era muito relevante, como a Benfica TV veio demonstrar… fui eu que negociei isso. A TVI facilmente podia ser desdobrada em cinco ou seis canais. Era para isso que nos servia, nada mais. Entusiasmei–me com essa perspetiva, mas foi uma ingenuidade minha. Não percebi as implicações políticas.”

Ingenuidade não é uma característica associada a Rui Pedro Soares. Na altura, ele tinha 35 anos. Fora catapultado para a administração da PT sem currículo profissional para isso, uma fragilidade que partilha com outros, embora estivesse na empresa desde 2001. Na altura, pergunto, teve a aprovação do primeiro-ministro para avançar para a TVI? Soares recosta-se na cadeira. Não sobe a voz uma oitava. “Já o disse: foi ingenuidade minha. Nunca falei com o primeiro-ministro sobre isto. Tinha contactos esporádicos com ele. Eu falava-lhe de futebol, ele falava-me de política. Se o referi nalguma conversa que tive com terceiros, foi abuso meu, já o disse também. Aquele negócio teve uma leitura política que eu não antecipei. Usaram escutas telefónicas minhas doutro processo em que não estava envolvido [Face Oculta]… truncaram as frases para parecer o que nunca foi. Esse mediatismo descontrolado fez-me sair da administração da PT, tornou-me no homem mais odiado da imprensa. Não foi normal… quando houve a busca ao gabinete do meu assessor por causa de um assunto que não tinha nada que ver comigo ou com a PT – e isso, repito, está provado -, o Correio da Manhã manteve a tarde inteira no site o título: administrador da PT alvo de buscas. Uma mentira medonha. Houve a intenção de me envolver naquele processo para atingir o primeiro-ministro.”

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