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Rescaldo: Quem joga assim, só merece ganhar

O Belenenses e o Vitória de Guimarães empataram a 3 bolas num jogo que foi impróprio para cardíacos e que mostrou aos turistas que pelo Restelo se passeavam que na nossa Liga também há qualidade e que, quando as duas equipas querem ganhar, pode haver espetáculo. Assim foi. Um jogo dividido até ao último suspiro que repartiu pontos entre duas equipas que muito lutaram para vencer.

O Belenenses começou a partida com um novo esquema táctico. A ideia de jogo, como Velázquez faz questão de frisar, manteve-se inalterada. Muita bola no pé, transições rápidas assentes em passes certeiros e um bom entendimento e dinâmica entre os homens da frente. A bola fluía com classe e exactidão entre os jogadores azuis, que nos primeiros 30 minutos, encostaram o adversário às cordas, tal e qual como tinham feito em Vila do Conde. Com uma diferença: o perigo causado através das combinações ofensivas. Tudo isto só podia fazer com que aos 24 minutos já estivesse 2-0. O primeiro golo foi através de um cruzamento de Carlos Martins para a cabeça de Miguel Rosa, que num grande golpe, desvia a bola de Miguel Silva e faz o primeiro. Estavam volvidos 8 minutos. A avalanche ofensiva dos azuis não parou e o cheiro a 2-0 pairava no ar. Até que, após uma brilhante jogada de entendimento, Carlos Martins serve – novamente – para o golo. Desta feita foi o reforço – sim, este é reforço! – Bakic finalizar com classe. Os da casa ainda dominaram até aos 35 minutos. Aos 36 o Vitória faz o golo numa bola parada, por Saré. Mal defendido pela parte do Belenenses. Após este golo, os forasteiros passaram a dominar o ritmo dos acontecimentos e o jogo inverteu um pouco, com os homens de Guimarães mais acutilantes. Aos 43 minutos, já sem Rafael Amorim em campo, fruto da lesão sofrida, e com 10 homens apenas, o Belenenses sofre o auto-golo de Filipe Ferreira. Tudo começou numa perdida de bola de Martins, Ricardo Valente depois vê-se isolado e o defesa-esquerdo dos azuis tem o infortúnio de marcar à sua equipa. Uma vantagem de dois golos desperdiçada sobretudo pelos constantes erros e desatenções defensivas – que têm de ser corrigidas. O resultado até era injusto face ao domínio dos homens da cruz de cristo, porém, é um justo castigador da inoperância dos homens recuados. De referir que Velázaquez fez jus à sua fama de treinador atacante e tirou Rafael Amorim, defesa-central, para por Ortuño, um avançado.

No regresso dos balneários a atitude das equipas não mudou. Ambas queriam sair com os 3 pontos e nenhuma se resignou com os números do marcador. Os da casa entraram muito fortes, com muita certeza no passe e uma boa pressão sobre a linha defensiva vitoriana. Após uns diversos ataques perigosos e concisos, o Belenenses chegaria mesmo ao golo, após uma boa jogada iniciada por Juanto e concluída pelo mesmo jogador, após recarga a remate de Miguel Rosa. Estava feito o 3-2 aos 64 minutos. Engane-se quem pensa que os jogadores do emblema da cruz de cristo se iam retrair. Continuaram na procura incessante pelo golo tranquilizador, que só não chegou porque Ortuño estava adiantado e o auxiliar assinalou – e bem – fora de jogo. O jogo passou a estar mais repartido, com os pupilos de Sérgio Conceição a carburarem mais e a serem mais assertivos na procura do golo. Golo esse que viria a chegar aos 77 minutos, através de um potente remate de Henrique Dorado, que foi sempre um quebra-cabeças para a retaguarda azul. Até ao fim houve tempo para muito mais incidências, com transições rápidas, jogadas trabalhadas, bolas no poste, cortes no último suspiro, boas defesas. Fábio Nunes entrou bem e com garra e foi dos que mais procurou. Assim como André Sousa, Carlos Martins e Miguel Rosa, que nunca desistiram e procuraram sempre mais. Tudo e mais alguma coisa. Assim como durante todo o jogo. O embate entre históricos acabou empatado, num desafio que só faria sentido conceder 3 pontos a cada uma das equipas, tal o espetáculo proporcionado. Um jogo para ver e rever. Assim vale a pena!

Quanto aos lisboetas, ficam assim mais afastados do comboio Europeu que, apesar de complicado, não é impossível. São 4 os pontos que separam a equipa da cruz de cristo dos lugares que dão acesso à Liga Europa.

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