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Red Bull Music Academy Culture Clash: Música ao vivo

Na semana passada realizou-se um evento único e enigmático em Portugal no Coliseu de Lisboa, o Red Bull Music Academy Culture Clash. A premissa deste evento era simples. Basicamente consistia na seguinte ideia:

Na semana passada realizou-se um evento único e enigmático em Portugal no Coliseu de Lisboa, o Red Bull Music Academy Culture Clash. A premissa deste evento era simples. Basicamente consistia na seguinte ideia:

E se fosse feita uma luta de géneros musicais? Com cada género a ser representado uma crew com nomes conhecidos da música nacional?

Pois bem, essa ideia é algo constante na Red Bull que tem vindo a realizar eventos semelhantes pelo mundo fora, nomeadamente em Nova Iorque, Londres, Roterdão ou Milão.

No passado dia 20 Outubro foi a vez de Lisboa sentir tal experiência.

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Para este evento foram definidas as seguintes equipas:

Club Atlas (de Branko, Riot, Kalaf, Pongolove, Carlão e Fred Ferreira), Moullinex Live Machine (crew de Moullinex, Xinobi, Da Chick,The Legendary Tigerman e Best Youth), Matilha (DJ Ride, Jimmy P e MGDRV) e por fim, Batida + Kambas e o Próprio Kota! (de Batida, DJ Satélite, Karlon, André Cabral, Gonçalo Cabral, Bernardino Tavares e o próprio Bonga)

Cada uma delas com nomes de relevo da música lusófona, representando os seus géneros musicais predilectos.

Esta batalha teve 4 rondas em que a crew que obtivesse mais ruído por parte do público, levaria de vencida essa ronda (tendo algumas regras associadas, como tempo limite de actuação, entre outras).

Num Coliseu dos Recreios bastante bem composto, quem esteve presente rapidamente se deparou com uma disposição diferente da sala. Desta vez não haveria só um palco, mas sim quatro, e o público ia-se dividindo entre a plateia e as galerias e bancadas do Coliseu.

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Para ajudar a explicar as rondas, os presentes tiveram a preciosa ajuda da Gisela João e Alex D’Alva Teixeira, a quem coube a tarefa de apresentação do evento.

Rapidamente indicam que existe um sonómetro no recinto que captará o barulho realizado pelo público e que isso decidirá a vitória em cada ronda e até mesmo na batalha.

A 1ª ronda chama-se “Teste de Pressão”, o chamado pré-round, visto que a votação não traria pontos para a contagem final. 7 minutos onde cada crew pode fazer o que quiser.

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É Club Atlas quem começa a batalha, e logo de rompante, com versões de Re-Tratamento dos Da Weasel ou Yah dos Buraka Som Sistema. Com elementos como Carlão ou Branko esperava-se essa visita.

A Moullinex Live Machine não quis ficar atrás, mas deu-nos a primeira impressão sobre as possíveis dificuldades de som nos palcos, provavelmente a distribuição de palcos pelo Coliseu implicou algumas limitações sonoras. Bem tentaram, e com a qualidade dos músicos no palco nem se esperava menos, mas de facto o som não pareceu querer ajudar esta crew no round inicial. Tendo terminado com a (You Gotta) Fight for Your Right (To Party!) dos Beastie Boys.

Matilha foi quem se seguiu, não causando grande entusiasmo no público presente. Numa entrada com máquinas de fumo a trabalhar e bandeiras ao alto, a crew liderada por Dj Ride, Jimmy P e MGDRV decidiu apostar em samples de músicas conhecidas, mas que provavelmente não associaríamos aquele momento. Passando de Alright de Kendrick Lamar para We will Rock You dos Queen sem conexão visível, deixou o público atordoado.

Para terminar o round faltava Batida + Kambas e o Próprio Kota! com os ritmos africanos característicos. De realçar o momento alto do round quando Bonga aparece em palco, mas que infelizmente devido à má gestão de tempo (dos 7 minutos) que a crew fez, não teve tempo suficiente para colocar o público a dançar.

1º Round terminado, vencedor: Club Atlas

Passando ao próximo round, a liberdade de escolha musical mantém-se, no entanto a votação já vale e cada crew tem 10 minutos de actuação.

Da Chick desce dos céus do Coliseu para o palco, e a equipa Moullinex Live Machine entra com mais energia e vontade nesta ronda. No entanto os problemas de som mantêm-se, o que acabou por prejudicar sempre esta experiência, e a audição dos pormenores da música de cada palco.

Seguiu-se Matilha . Quem gostou da primeira aparição, gostou da repetição da abordagem, quem não gostou inicialmente, não mudou de opinião com esta round.

Batida para além dos ritmos africanos, trouxe crítica política e social, abordando directamente José Eduardo dos Santos, presidente angolano desde 1979 e a questão dos activistas presos em Angola, que despertou a atenção dos presentes.

Club Atlas responde com mais hits conhecidos do público como Kalemba ou a Tá Tranquilo, Tá Favorável. Pelo meio do set, Kalaf começa a lançar provocações aos Matilha.

2º Round Vencedor: Batida + Kambas e o Próprio Kota!

Para este 3º Round “Dormindo com o Inimigo”, o objectivo era que cada crew interpretasse músicas dos elementos das crew rivais, no entanto esse objectivo nem sempre foi cumprindo. Ataques houve, mas não musicais.

Matilha iniciam o round com provocações, dizendo que dormem com toda a gente, menos com a Da Chick. Investiram no beat box nesta ronda.

Batida soltou o melhor momento humorístico da noite quando recorreu a uma Moulinex, provocando claramente a crew Moullinex.

Club Atlas a passar por Abrunhosa, 5-30, Sam the Kid, e terminando com Deolinda.

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O melhor desta ronda ficaria para o fim. Fazendo parte da Moullinex Live Machine os Best Youth entram no “habitual” palco do Coliseu (desta vez dedicado à zona VIP) interpretando uma das músicas de DJ Ride, Fumo Denso. Uma cover tão bem feita, que espero que possa vir a ser lançada uma versão em estúdio.

No palco dedicado ao resto da Live Machine, a crew atira-se de forma bastante conseguida a Wegue Wegue dos Buraka ou Tás na Boa dos Da Weasel, acompanhados por Mike El Nite e Marta Ren.

3º Round Vencedor: Moullinex Live Machine

Ronda final, onde tudo ainda pode acontecer, inclusive a vitória final da única crew que não ganhou nenhuma ronda anterior, os Matilha, tendo a possibilidade de actuar em último. Pontos duplos nesta ronda.

Batida inicia, mas depressa se vê que não irá levar de vencida esta batalha.

Club Atlas a seguir trás tudo o que pode, inclusive Richie Campbell e Nelson Freitas (momento estranho em que o próprio faz publicidade aos seus concertos vindouros durante a actuação…), deixando grande parte do público em polvorosa.

Moullinex Live Machine de volta à grandiosidade rock, com a utilização de um coro gospel e uma banda de percursão, durante a Take My Pain Away do próprio Moullinex.

Para terminar as actuações, Matilha, mas já nada havia a fazer. O público estava decidido.

Vencedor do 4º Round e final: Club Atlas.

No final, uma noite muito bem passada para todos e só esperamos que haja continuidade. Lisboa está na moda, logo necessita de continuar a ser casa de eventos assim.

O aspecto a melhorar tem a ver com o que já mencionei antes, a distribuição do som pelos palcos, mas certamente que da próxima vez isso já não influenciará tanto o aproveitamento da experiência.

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