in ,

O Porquê de The Last of Us Parte II estar a sofrer “Review Bombing”

Last-of-Us-part-II-trailer

The Last of Us Parte II tem, actualmente, 95 na pontuação dos críticos e 3.4 nas opiniões dos utilizadores na Metacritic. Discutimos sobre o porquê disto estar a acontecer com alguns colegas da imprensa nacional (Echoboomer, Future Behind). Sem Spoilers da história.

A partir do momento em que pegámos em The Last of Us Parte II, rapidamente nos apercebemos que o jogo seria muito polémico e que o mesmo iria causar um sem-número de emoções diferentes nos jogadores. No entanto, o facto do jogo conseguir emocionar os jogadores dessa forma só demonstra o quão impactante é a obra que a Naughty Dog conseguiu desenvolver.

A continuação do primeiro jogo seria sempre muito complicada para Neil Druckmann. Poderia ter jogado pelo seguro e ter contado uma história que não mexesse de nenhuma forma com os acontecimentos do jogo original e que fosse de encontro aquilo que muitos fãs queriam: ver Ellie e Joel de novo. Mas, respeitando o que aconteceu no primeiro jogo e o universo que criaram, isso não seria provavelmente a melhor forma de dar seguimento à saga. Como tal, a história que a Naughty Dog entrega neste The Last of Us Parte II não é linear, é uma narrativa complexa, arriscada, e que se sente que é um produto original, que vai totalmente de encontro com aquilo que os criadores pensam.

The Last of Us Parte II (Playstation 4) – Análise Gaming

 

The Last of Us Parte II é uma continuação que faz sentido em relação ao que nos foi apresentado no jogo original, forçando agora mais em tópicos que ainda são tabu no mundo dos videojogos. Falamos de temas como LGBTQ, fé, religião, sexualidade, stress pós-traumático e violência. Sim, existe violência em muitos jogos actuais, mas não da forma como ela é retratada em The Last of Us Parte II. E isto foi uma decisão tomada por Neil Druckmann e Halley Gross (co-argumentista do jogo), tentando ao máximo evitar fan-service, focando na história que queriam contar. Tal é confirmado na entrevista que Halley Gross deu ao LA Times nesta semana.

A forma como o jogo aborda estes temas fez com que The Last of Us Parte II fosse um alvo de críticas e de “review bombings”, e que têm todo o direito a acontecer, mas apenas por quem joga o título por completo e que perceba todo o contexto deste jogo. É impossível olhar para uma cena do jogo e avaliá-lo imediatamente com a pior ou com a melhor nota existente. O jogo saiu ontem mundialmente, e já conta com mais de 18 mil críticas negativas no Metacritic. Como o jogo demora mais de 20 horas a ser completado, não é crível que aquelas avaliações sejam de indivíduos que já o tenham terminado.

Screenshot_7

Olhando para o que a crítica especializada tem a dizer sobre o jogo, poucas dúvidas restam sobre a qualidade da obra da Naughty Dog. Com 95 de pontuação da crítica no Metacritic e tendo recebido nota máxima da nossa parte, decidimos falar com alguns críticos da nossa praça para saber o que têm a dizer sobre esta situação e sobre o jogo em si:

EaTbIWQXkAMiiEz
Imagem cedida por David Fialho

“Olho para o lançamento de The Last of Us Part II com alguma tristeza e frustação, especialmente quando há tanto para celebrar quer a nível de inovações tecnicas, na estrutura narrativa e no risco dos temas que aborda. Apesar de ter adorado o que a Naughty Dog fez, entendo perfeitamente que não é um jogo que agrade a todos, muito pelos temas ou situações desconcertantes que apresenta, que são na minha opinião eficazes face ao objetivo proposto pelo jogo. Há tanto para partilhar e para discutir sobre esta obra que acho que é uma pena ver a intolerância e o ódio destilado em cima da mesa, tornando-se díficil de ignorar em qualquer conversa sobre o jogo” diz David Fialho, que deu a nota de Recomendado no Echoboomer.pt.

Análise – The Last of Us Part II

“Estamos em 2020 e o mundo dos videojogos apresenta, a cada dia que passa, títulos com melhor aspeto e com capacidades técnicas surpreendentes. Para além disto arrisco ainda a dizer que cada vez mais as narrativas dos jogos estão próximas das histórias que no passado apenas saiam de Hollywood. A cada par de anos aparece um jogo que move multidões, seja por bons ou maus motivos, este ano esse jogo é The Last of Us Parte II. Neste momento existem 26250 pessoas que deram a sua nota a The Last of Us Parte II no Metacritic, diria que 20 mil ainda não o jogaram. São pessoas movidas pelo ódio, e por pensamentos bem mais “1720” que 2020, pessoas que pararam no tempo e que qualquer coisa que pareça diferente as assusta. Para essas pessoas só tenho um conselho – Não vivam assustados pela mudança, um jogo é só um jogo tal como um filme é só um filme. Tal como um shooter não nos faz querer matar alguém, o novo título da Naughty Dog também não vos vai querer dar um beijo ao vizinho(a) do lado”, refere André Santos do Future Behind, que também deu nota máxima ao videojogo.

Análise The Last of Us Parte II

 

Depois de tantas notas máximas dadas pela crítica especializada por todo o mundo, isso quer dizer que The Last of Us Parte II é um jogo perfeito? Não. Certamente haverão jogadores que não irão gostar de tudo o que jogo oferece, seja em termos de jogabilidade, da história, etc. Mas quem o avalia, está a dar o seu ponto de vista depois de ter passado dezenas de horas com o jogo e de o ter acabado, experienciando tudo o que o jogo tem a oferecer. Uma crítica é mais válida vinda de quem acabou o jogo por completo. Mas aquilo que temos vindo a ver desde Abril (altura em que saíram algumas imagens do jogo que acabavam por demonstrar como a história se iria desenrolar) são críticas relacionadas com a direcção da história e principalmente com a sexualidade das personagens, sem conhecer o contexto.

A liberdade de expressão e as plataformas sociais da Internet permitem que qualquer opinião sobre uma obra possa ser feita, no entanto, nem todas poderão ser as mais correctas. Uma das maiores críticas apontadas a este The Last of Us Parte II prende-se com o facto de Ellie ser homessexual neste título, apontado que a Naughty Dog teria cedido a pressões para tornarem o universo do jogo mais variado. Mas a sexualidade de Ellie já era conhecida desde o DLC do primeiro jogo, Left Behind, e na altura essa polémica não tinha sido levantada, como se pode comprovar na página de Metacritic desse título (os únicos comentários negativos a Left Behind foram submetidas a partir de Abril deste ano):

Imagem

Tal como afirmámos logo na nossa análise, a polémica que antevíamos está a confirmar-se:

“The Last of Us Parte II não é certamente um jogo para ser jogado de ânimo leve, mas é obrigatório para quem gosta de videojogos, e para quem gosta de entretenimento. Se eu concordo com o caminho com a história tomou? Ainda não sei. Se esperava que a história fosse esta? Não. É polémico? Provavelmente.”

Apesar de termos dado nota máxima ao jogo, compreendemos que este jogo não irá ser para todos (tal como os nossos colegas de imprensa também o dizem). Para uns este será o jogo do ano, para outros Ori and The Will of The Wisps é o melhor jogo do ano. O que não compreendemos é esta tentativa de mandar um videojogo abaixo, mesmo antes deste ser lançado. 

Mais do que recomendar o jogo, recomendamos sim que cada pessoa que tenha interesse em experimentar esta sequela que o avalie por si, não tomando juízos de valor por parte de outros. Uma análise, vinda seja de quem fôr, serve para expôr a opinião da pessoa que o faz, não serve para influenciar a opinião doutros.

Por isso, se já jogaram The Last of Us Parte II, digam-nos o que acharam do jogo e se concordam com as decisões tomadas pela Naughty Dog.

 

New on Netflix | May 2020

New on Netflix | May 2020

Middleditch & Schwartz | Episode 1: Parking Lot Wedding Teaser | Netflix

Middleditch & Schwartz | Episode 1: Parking Lot Wedding Teaser | Netflix