23/05/1987 – Morte de Mariano Amaro (capitão da equipa campeã em 1946)

By oficinadosite


// 22 de Maio de 2014

Imenso e quase incomparável, Amaro é um símbolo imortal do Belenenses, um dos nossos maiores – para alguns, até, o maior. Ainda hoje nos lembramos de ler a notícia da sua morte e de sentirmos a nossa alma levantar-me, com reverência e comoção.

O seu palmarés pode sintetizar-se em números tão simples como expressivos: Serviu o Belenenses durante 14 anos, de 1934 (chegado do Sport Adicense, clube do bairro da Graça, que ainda hoje existe) até 1948; ganhou, no nosso clube, 1 Campeonato Nacional, 2 Campeonatos de Lisboa e 1 Taça de Portugal. Esteve presente em duas outras finais da Taça de Portugal (e estava para participar ainda numa outra quando, na véspera, soube que não podia alinhar nem continuar a sua carreia, o que foi um duro golpe para a equipa e para todos os Belenenses). Foi ainda 2 vezes Vice-Campeão de Portugal e 1 vez Vice-Campeão Nacional. Foi 19 vezes internacional, num tempo em que a Selecção Nacional (em que foi indiscutível durante uma década) jogava pouco frequentemente – muito pouco, aliás, no período da 2ª Grande Guerra Mundial. Só 3 jogadores (entre os quais o “nosso” Augusto Silva, tinham mais internacionalizações).

Foi capitão do Belenenses – e que grande capitão! O seu talento e o seu carácter impunham-se à admiração de todos, companheiros e adversários. Mariano Amaro não foi apenas um grande jogador: foi também um grande homem!

Gostava fervorosamente do Belenenses. Por isso, nos anos 40, deparamo-nos repetidamente com mensagens de apaixonado amor clubístico dirigido por Amaro aos sócios e adeptos do Belenenses.

Como jogador, dizia-se, introduziu uma nova dimensão no Futebol Português. Que é preciso acrescentar?

No dia seguinte ao da sua morte, foi publicado nas páginas de “A Bola”, pelo jornalista Aurélio Márcio, um texto de que a seguir reproduzimos algumas partes:

“Era um nome histórico do futebol do Belenenses, fica bem ao lado de Artur José Pereira, dos olímpicos, como então se dizia, Augusto Silva e César de Matos, do nome lendário de José Manuel Soares (Pepe), o jovem perdido antes dos vinte anos e, claro, de Matateu, estes os nomes, não sei se nos falta algum, dos homens que ajudaram a escrever a história do futebol do Belenenses [Aqui, Aurélio Márcio confundiu a idade de Pepe – morreu aos 23 anos – e nas grandes figuras de jogadores do Belenenses esqueceu ou omitiu, erradamente, nomes como o das Torres de Belém, Vicente ou Serafim das Neves, por exemplo].

23/05/1987 – Morte de Mariano Amaro (capitão da equipa campeã em 1946)Mariano Rodrigues Amaro morreu ontem, aos 72 anos, fulminado por um ataque cardíaco e ficando ligado aos maiores triunfos do futebol do seu clube de sempre (…) [Também aqui, parece ter esquecido os três Campeonatos de Portugal que o Belenenses ganhou antes de Amaro].

Era um jogador excepcional, dos maiores de sempre do nosso futebol, um centrocampista que seria hoje pago a peso de oiro, sempre do lado direito, onde mostrava uma versatilidade de jogo a fazer inveja, ainda hoje, aos nossos melhores centrocampistas.

Com ele, outra grande figura do nosso futebol, também das maiores, o madeirense Pinga, interior-esquerdo do F.C.Porto, com o qual travou duelos, nos encontros Belenenses – F.C.Porto que são da história do futebol, por conterem um elevado conteúdo técnico e uma correcção exemplar entre dois jogadores fora de série.

Dezanove vezes internacional, entre 1937 e 1947, praticamente entrou na selecção nacional em 1937 e dela nunca mais saiu até dar o lugar, atraiçoado por uma doença que o marcou, não a um sucessor, mas a vários jogadores que passaram pelo lugar que ele desempenhou com tanto brilho e que tantos anos levou depois a encontrar quem o substituísse.

(…) Mariano Amaro, para além da sua classe de grande jogador exibia, dentro e fora do terreno, uma correcção e uma educação exemplares, nunca criando quaisquer problemas a quem quer que fosse.

23/05/1987 – Morte de Mariano Amaro (capitão da equipa campeã em 1946)O primeiro número de ‘A Bola’ fica assinalado por uma entrevista notável, de José Alves dos Santos, em que Amaro, recuperado da doença que o acometeu (…) declara que ia recomeçar, aos 30 anos, com o mesmo entusiasmo dos seus primeiros tempos.

Um grande jogador que nos deixa, uma figura histórica do futebol português e do Belenenses.

Morreu como queria, o velho amigo, de repente, sem dar trabalho a ninguém, certamente a olhar para o sorriso de uma mulher”.

Mais expressivo ainda e certamente mais sentido, foi o poema escrito pelo colega de equipa (dos nos 30 e 40), Perfeito Rodrigues (segundo Acácio Rosa, uma das maiores e incondicionais dedicações azuis) “Ao meu grande amigo e antigo companheiro de equipa Mariano Rodrigues Amaro”:

“Amaro! Tu amaste, eu sei,
Este Clube que é nosso.
Já não podes, nem eu posso:
Fez-se tarde…É a lei!

23/05/1987 – Morte de Mariano Amaro (capitão da equipa campeã em 1946)Tantos anos a lutar!
A defender nossas cores,
Sempre presos aos amores
Que em Belém foste encontrar!

Era jovem e tinha a Cruz
A ‘bela’ que nos prendeu.
A ti te mostrou a luz
E mais tarde o apogeu!

Depois, tudo se esboroou.
Tudo fugiu num repente.
De ti apenas ficou…
Um sorriso para toda a gente.

Bem mereces a distinção
Deste Clube a que pertences.
E um abraço de gratidão
De todos os Belenenses!”

JMA

Fonte: Os Belenenses


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