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À conversa com Bruno Rosa: finalista do Got Talent Portugal

"No final da minha atuação quero sentir que fiz aquilo a que me comprometi."

Após ter uma das atuações mais votadas pelo público, o acrobata Bruno Rosa é finalista no Got Talent Portugal, o concurso de talentos da RTP1. A poucos dias da grande final estivemos à conversa com o Bruno.


Foi em ambiente descontraído e intimista que estivemos à conversa com Bruno Rosa, onde nos revelou alguns aspetos do seu percurso pessoal e profissional. Falámos da sua participação no Got Talent e revelou-nos as suas expetativas para a final do programa e para o seu futuro.

À conversa com Bruno Rosa: finalista do Got Talent Portugal

CA: Quem é o Bruno Rosa?
Bruno: Quem é o Bruno Rosa?… o Bruno Rosa sempre foi um sonhador. Sempre foi um miúdo que precisou de apoio e ajuda para colocar os pés na terra, pois, por vezes, tem a cabeça no ar. O Bruno é uma pessoa que adora aprender com as outras pessoas e retira sempre as coisas boas daquilo que faz. É um aventureiro. É caranguejo, portanto é uma pessoa às vezes um pouco fria, mas é apenas uma defesa. O Bruno Rosa é apaixonado por animais. É apaixonado pelo seu marido, pela sua irmã… O Bruno tem muitos e bons amigos de quem gosta muito.

CA: Desde muito novo que estás ligado às artes, como começou?
Bruno: Começou com dez anos, quando entrei para o 5º ano da escola. Comecei a fazer teatro com o grupo da escola. Fiz parte desse grupo do 5º ao 9º ano e com eles participei em festivais de teatro de Vila Franca de Xira e de Alverca. O teatro nessa altura foi o meu escape para deixar de ser rebelde. Quando cheguei ao 9º ano decidi que queria seguir teatro… fazer teatro! Completamente! Fiquei apaixonado pelo teatro. Foi assim que nasceu.

CA: E como chegaste ao mundo da acrobacia aérea?
Bruno: Quando terminei o 9º ano (com 15 anos) achava que podia ingressar na Escola Superior de Teatro e Cinema, mas como não podia frequentar o curso com 15 anos, não foi possível fazer o curso. Uma amiga do grupo de teatro da escola inscreveu-se numa escola de teatro e eu decidi inscrever-me também, tratava-se do Chapitô. Nas provas para entrar na escola dei por mim a ter de fazer pinos e cambalhotas e então percebi que se tratava de uma escola de artes circenses. Por ironia, a amiga com a qual me inscrevi não entrou! Na altura foi muito difícil pois tinha vertigens, mas fui obrigado a fazer as aulas porque faziam parte da minha avaliação. Quando comecei a fazer as aulas de aéreos, especificamente trapézio – que foi no que eu me especializei – fiquei completamente apaixonado e fiquei lá em cima… sempre! Fiquei “pendurado” até aos dias de hoje e assim surgiu a paixão pelo circo e por voar.

CA: Fala-nos um pouco do teu percurso.À conversa com Bruno Rosa: finalista do Got Talent Portugal
Bruno: O primeiro trabalho profissional que mais me marcou foi a minha PAP (Prova de Aptidão Profissional). A minha PAP foi uma das escolhidas (entre cinco, duas delas eram escolhidas para ficar em cena no início do ano letivo seguinte). Acho que é um dos meus projetos mais importantes, que guardo com a emoção de ter feito algo meu a nível profissional. Esse foi um trabalho muito importante por ter ficado em cena um mês na escola onde me formei. Depois disso, o segundo projeto em que embarquei, com muito à vontade, foi entrar na companhia Armazém Aéreo, da qual já não faço parte. Na altura, fizemos um espetáculo em Cabo Verde. Esse espetáculo também foi muito bom. Depois de Cabo Verde, saí de casa e tive a minha primeira aventura fora do país, em Espanha.E entrei numa companhia de circo em Vigo. Morava no Porto e trabalhava aos fins de semana em Vigo. Esse foi um projeto marcante. Acho que foi aí que me encontrei e tomei a decisão que queria o circo para o resto da minha vida. Quando acabei o curso andei indeciso e trabalhei em vários sítios para conseguir pagar as minhas contas. Este foi o projeto que marcou e decidiu o meu futuro. Depois de Vigo, fiz televisão. Lembro-me que na altura foi um boom fazer parte da série Morangos com Açúcar. Foi muito bom. Foi uma experiência que guardo até hoje e tenho amigos desde essa altura que continuam na minha vida. Foi um projeto muito importante e que me ensinou muita coisa. Depois embarquei num projeto, com mais oito pessoas, chamado Armazém 13. Foi um projeto pessoal que me ensinou muita coisa a nível de produção e a nível pessoal. Infelizmente não terminou da melhor forma, mas é um projeto que guardo com muito carinho e tenho pena que tenha terminado. Sem dúvida que fez parte de uma das fases mais importantes da minha vida enquanto artista, porque era o palco onde eu podia experimentar as minhas coisas. Ainda no Armazém 13, comecei a trabalhar com Filipe La Féria. Foi uma aventura muito grande onde fiquei seis anos. Lá, fui Peter Pan e cantei, algo que não sei fazer, mas cantei… e gostei muito! Entre outros, tive um projeto que me marcou muito, foi o Teatro Rápido. Foi onde mudou a minha vida a 100% e onde conheci pessoas muito importantes. Há dois anos e meio sai de Portugal para ir trabalhar para uma companhia de circo francesa. Foi a primeira companhia de circo que conheci quando comecei a estudar no Chapitô, que são os “Les Farfadais”. Eu já seguia esta companhia desde que vi pela primeira vez circo à séria e sempre sonhei trabalhar com eles.

CA: Como tem sido esta experiência com “Les Farfadais”?
Bruno: Tem sido uma experiência incrível. A começar por estar a trabalhar com pessoas que eu admiro, que são profissionais excelentes e que me têm levado a um nível profissional e estético superior. Levam-me a trabalhar a um nível físico que nunca trabalhei. É um rigor muito grande! Há coisas que tenho aprendido com eles que não sabia que podia fazer com o meu corpo. Outra parte boa é estar a conhecer o mundo inteiro enquanto faço o que gosto. Depois… sinto a saudade! É a parte mais difícil de estar fora, ter cá a família e os amigos e não poder estar cá. Estar do outro lado do mundo em datas importantes é algo que custa muito. Mas faz parte, foi uma decisão que eu tomei e vivo com ela. Agora quero passar mais tempo cá, é esse o objetivo.

CA: Porquê o Got Talent Portugal?
Bruno:
Porquê o Got Talent?… Eu participei no Portugal tem Talento, um formato diferente do atual (SIC, 2011), há sete anos com o João Godinho. Correu bem até às semifinais, mas não chegamos à final. Ficou sempre o “bichinho” de ir a uma final do Got Talent, mas a solo. As experiências que tenho vivido desde essa data até agora serviram para me definir enquanto artista. Nos últimos anos tenho definido quem é o “Bruno Rosa acrobata aéreo” e agora faz todo o sentido. O ano passado fiz uma tentativa para concorrer, mas infelizmente sofri um acidente nos ensaios e não foi possível avançar. Este ano, sendo fisicamente possível, aqui estou. É um desafio. Estou-me a desafiar com tudo o que tenho de criar e definir. Isto deixa-me ansioso, mas é muito bom. O Got Talent serve para eu me mostrar enquanto artista e para divulgar o meu trabalho e as minhas ideias. 

CA: Como viveste a semifinal no dia 29 de abril? O que sentiste?
Bruno: 
Os dias de ensaios em estúdio são dias muito longos, não acabam! Vamos para o estúdio dois dias antes para fazer ensaios com a produção e com os outros concorrentes. Como é um programa em direto, não temos a oportunidade de o fazer a seguir. Portanto, tem de correr bem na altura. Existem muitas regras de que temos de ter noção. Regras de câmara, de marcações de palco… tudo é muito definido para que tudo funcione bem. São dois dias intensos e de nervos porque queres estar constantemente a treinar para a tua performance, o que não é possível por serem vários artistas a participar. Foram dias agitados até à atuação. No dia da atuação senti muitos nervos, mas seguro daquilo que estava a fazer. Quando chega a altura da atuação eu não penso muito, eu faço! Não vejo ninguém à minha volta, o meu foco sou eu e onde estou. O que vivi depois foi uma gratidão que não consigo explicar. É uma ansiedade gigante até saber se passas ou não passas, se tens votos ou não tens votos. E depois… perceber que no final de todas as atuações, no final de milhares de portugueses a ver e a votar, saberes que és um dos mais votados, independentemente de saber se passava à final, isso já me deixou completamente surpreendido, feliz e grato. Então quando me dizem que passo, escolhido pelo júri… isso foi maravilhoso. Olhar para a cara das pessoas a sorrir e darem-me abraços é muito bom.

Recorde a atuação de Bruno na 1ª Semifinal do Got Talent Portugal (29 abril 2018):

CA: Como te estás a preparar para a final do Got Talent Portugal?
Bruno: 
Sob pressão! Estou a ensaiar e a criar um número novo. Estou a tentar ir mais longe ainda, fazer algo que nunca fiz enquanto acrobata. Será mesmo um grande desafio para mim e para aqueles que me estão a ajudar. Estou a preparar-me muito, ensaio os dias todos e a toda a hora, o máximo que posso.

CA: Podes revelar um pouco do que vai ser a tua atuação no dia 20 de maio?
Bruno: 
Não, não posso revelar, não quero revelar. Sei o que vou fazer, mas aprendi a não revelar coisas relativamente ao meu trabalho até eu saber e ter a certeza que as coisas vão acontecer. Claro que há pessoas a quem eu conto e que que já sabem perfeitamente o que vou fazer. São amigos e profissionais em quem confio e respeito as suas opiniões sobre o meu trabalho. Mas…. vou deixar em segredo.

CA: Expetativas para a final?
Bruno: 
Ah!… Claro que o objetivo é ganhar, isso não se coloca em causa. Mas quero essencialmente que corra bem. No final da minha atuação quero sentir que fiz aquilo a que me comprometi. A minha expetativa é, no fim do meu número, ter excelentes comentários e saber que fiz um bom trabalho. Ganhar… é para isso que eu lá estou, portanto vamos a isso!

CA: Após a final do Got Talent, o que reserva o teu futuro? Novos projetos?
Bruno: 
Sim, tenho um projeto grande, dois na realidade, mas um maior que é abrir um espaço em Lisboa. Quero criar o meu próprio espaço de formação, de espetáculos. Um espaço cultural, com várias vertentes. Este é o meu objetivo principal cá. Para além disso, vou continuar a fazer os meus espetáculos no Casino de Lisboa. Vou continuar a trabalhar com “Les Farfadais”, porque já tenho vários contratos fechados e vou continuar a fazê-los. E vou continuar a fazer a minha vida normal, com o meu marido, os meus animais, os meus amigos e família. Vou continuar aqui a dar o máximo.

CA: Que conselho darias aos jovens que querem iniciar a sua carreira artística? 
Bruno: Para quem sai do Chapitô, neste caso na minha área, daria o conselho de que se tiver a oportunidade de ir para uma escola de circo lá fora, não pensem muito, vão! Eu não pude ir na altura, mas também não fiz por isso, porque acho que se fizesse teria conseguido ir. Não é uma questão de sair do país. Há sempre a questão do “vais abandonar o teu país quando nós em Portugal precisamos de bons artistas”. Sim, precisamos, mas também precisamos de mais formação. Temos tão bons professores lá fora, tantos festivais de circo, imensas coisas que, infelizmente, não temos cá. Já há alguns, mas não são suficientes, por isso eu acho que a experiência de estar fora e poder estudar numa escola superior de circo é uma mais-valia para quem quer seguir esta área. Portanto, quem está com dúvidas deve fazer os possíveis para conseguir. Existem bolsas, existem apoios, é uma questão de procurar e pedir ajuda a quem sabe. Não desistam nunca daquilo que querem fazer. Independentemente da área e por mais difícil que seja não podemos deixar de fazer aquilo que queremos e o que gostamos. 
À conversa com Bruno Rosa: finalista do Got Talent Portugal

Acompanhe a atuação do Bruno Rosa na final do Got Talent Portugal, transmitida em direto na RTP1, no próximo dia 20 de maio às 21 horas.


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