Em vesperas do regresso do Bob Dylan a Portugal, recordamos os seus melhores álbuns. O concerto do músico norte-americano está marcado para quinta-feira na Altice Arena.
Bob Dylan regressa a Portugal nesta quinta-feira, dez anos após o seu último concerto em Lisboa, no Optimus Alive’08. Muita coisa mudou desde essa altura, desde o nome do último festival onde Dylan actuou por cá até ao facto de Dylan ter sido laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 2016.
O músico de 76 anos conta com quase 60 anos de carreira e o seu cancioneiro é mais completo do o cancioneiro de muitas regiões. Dylan tem no seu reportório 38 (!) álbuns de estúdio gravados e com este número apenas percebe-se a dificuldade que pode existir ao tentar introduzir alguém na música do norte-americano. Como o concerto na Altice Arena está perto, decidimos fazer uma escolha dos melhores álbuns de Bob Dylan (pelo menos na opinião do escritor do artigo) e assim dar a conhecer a quem não conhece alguns dos melhores álbuns que o músico lançou durante a sua longa carreira.
Apesar de Dylan ter mantido a qualidade ao longo dos seus 59 anos de percurso na música (e noutros meios), é difícil não destacar o período inicial da sua discografia em que a prolificidade dominava e as suas maiores obras apareceram nessa época. Com ordem cronológica em mente, destacamos aqui 5 álbuns de Bob Dylan que merecem lugar de destaque na biblioteca musical de todos.
The Freewheelin’ Bob Dylan – 1963
No seu segundo álbum, Dylan abre as hostilidades com “Blowin’ in the Wind” e “Masters of War”, denotando assim a sua veia anti-guerra e destacando-se como uma voz daquela geração. Este disco serviu de apresentação real do músico ao mundo, das suas ideias e da forma como consegue abordar temas pesados e prementes da sociedade através da sua escrita incomparável. Com uma mistura de músicas políticas com outras românticas, realçando assim a influência que a namorada de Dylan da altura, Suze Rotolo, teve neste álbum. Para além de aparecer na capa do disco, ela ajudou Dylan a tomar uma maior acção na luta pelos Direitos Civis. Além das músicas mencionadas anteriormente, destaque ainda para “Don’t Think Twice, It’s All Right” ou “Girl from the North Country”.
Bringing It All Back Home – 1965
Dylan lançara dois álbuns entre este “Bringing It All Back Home” e o “The Freewheelin’ Bob Dylan”, mas este disco marcaria uma nova etapa para o americano. Serviu para se distanciar um pouco da música de protesto e focar-se em músicas de foro mais pessoal e ainda experimentar diferentes abordagens à música. Ele dividiu o disco em dois lados, um dos lados tocando com uma banda eléctrica e no outro sozinho apenas com a sua guitarra acústica. Alguns dos maiores éxitos da sua carreira surgem deste disco tais como “Subterranean Homesick Blues”, “Mr. Tambourine Man”, “Love Minus Zero” ou “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)”.
Highway 61 Revisited – 1965
Para Dylan não basta lançar uma obra memorável num ano, e em 1965 a seguir ao excelente “Bringing It All Back Home”, lançou o não menos bom “Highway 61 Revisited”. Se para muitos músicos seria um sonho ter um álbum destes, Dylan demonstra que não é um qualquer. Em “Highway 61 Revisited” temos a “Like a Rolling Stone”, talvez a música mais associável ao músico. Neste disco, Dylan encosta-se ainda mais ao lado rock e blues da sua música, fugindo da sua pouca vontade em escrever mais músicas folk. Resultado: Um Bob Dylan renovado e inspirado, apesar de algumas críticas da altura dos seus fãs mais antigos não terem apreciado muito esta nova vertente do americano, a verdade é que esta obra tem vindo a amadurecer muito bem e certamente que as opiniões em relação a este disco já serão menos agrestes por parte dessas pessoas.
Blonde on Blonde- 1966
E não há duas sem três. Em 3 álbuns consecutivos separados por apenas um ano, Bob Dylan continua a oferecer pérolas musicais que significarão muito por anos a fio. Em “Blonde On Blonde” não existe grande rutura com os dois álbuns anteriores, podendo este ser considerado o final da trilogia rock de Dylan. Por muitos considerado o melhor álbum da discografia de Bob Dylan, este disco representa o pináculo criativo e artístico do músico, e todas as músicas presentes são clássicos da música do cantor. Temos “Visions of Johanna”, “I Want You” ou a romântica música de 11 minutos “Sad Eyed Lady of the Lowlands” dedicada à sua esposa da altura Sara. Não há um momento mais fraco neste disco, e se apenas se poder recomendar um disco de Dylan, este é a escolha mais certa para representar tudo o que o músico é capaz de criar.
Blood on the Tracks – 1975
9 anos após a sua fase mais interessante, “Blood on the Tracks” fala da desintegração do seu casamento com Sara, com a qual se viria a divorciar em 1977. É um registo muito pessoal e que documenta as dificuldades do seu casamento, apesar do próprio negar que as músicas no disco sejam autobiográficas, mas a dor presente em muitas delas é indisfarçável. “Tangled Up in Blue”, “If You See Her Say Hello” ou “You’re A Big Girl Now” são exemplos disso.
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