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Detroit: Become Human – Entrevista a Diogo Morgado

Diogo Morgado já é uma voz reconhecida nos videojogos e é um dos responsáveis pela dobragem portuguesa de ‘Detroit: Become Human’. Tivemos a oportunidade de falar com ele sobre o novo título da Playstation 4.


Num evento de apresentação de Detroit: Become Human fechado a jornalistas, que decorreu no WIP – Lisbon EventsGregorie Ducanu, Associate Game Director da Quantic Dream, e as três vozes principais portuguesas, Diogo Morgado, Victória Garcia e José Mata, falaram com a CA Notícias sobre o novo exclusivo da Playstation 4, que chega a Portugal no próximo dia 25 de maio.

Diogo Morgado empresta a voz a Markus RK200, um andróide que pertence ao famoso pintor Carl Manfred, que perdeu a capacidade de andar. Carl sempre tratou Markus como um humano transmitindo-lhe os mais diversos valores, ensinando-o a pintar e sensibilizando-o para as coisas verdadeiramente importantes da vida. Graças a estes ensinamento Markus tornou-se num líder revolucionário que pretende libertar os andróides das “garras” da sua própria programação. Leal, corajoso e destemido, Markus está sempre disposto a lutar pelos fracos e oprimidos, numa guerra tantas vezes desigual, e onde as tuas decisões terão um papel fulcral.

Reportagem – Evento de apresentação de Detroit: Become Human

 

Falámos com Diogo Morgado para saber mais sobre a sua participação em ‘Detroit: Become Human’:

CA (CA Notícias) – Fã de videojogos, certo? O que costumas jogar?

Diogo Morgado – Mais do que fã, sou gamer! Sou da geração das cassetes do Spectrum em que rezavas para que o jogo começasse! A evolução desde esse tempo em que eu era um miúdo é extraordinário. Eu fui acompanhando a evolução dos videojogos, não só do ponto de vista de espectador, mas como gamer também. Há um certo tipo de jogos que gosto bastante. Sou um jogador sazonal, quando tenho trabalho não costumo jogar, primeiro porque não desfruto tanto e depois porque pode influenciar o trabalho. Quando estou mais parado é quando desfruto por completo dos jogos que quero. Neste momento tenho jogado o Horizon: Zero Dawn e tenho desfrutado bastante.

CA – Poderás falar um pouco da experiência de fazer a dobragem de um jogo?

Diogo Morgado – É uma experiência fascinante, eu dobro como se tivesse a jogar. Não o faço porque está escrito assim no guião, mas porque imagino as personagens a virar para o lado, a baixar, etc. Gosto de me pôr nos seus lugares.

CA – Poderás falar um pouco da tua personagem,Markus?

Diogo Morgado – É um futuro alternativo em que os andróides vivem entre nós como máquinas, são usados como “escravos” de trabalho e como utilitários em casa. Há uma questão sobre até que ponto as máquinas não tem consciência. O Marcus é o revolucionário que vai dizer não, que os andróides têm direitos e não querem mais ser usados. O Marcus vai lutar por isso ou pela via pacifista ou pela via mercenária, dependendo do caminho tomado pelo jogador.

Há um paralelismo futurista engraçado em ‘Detroit: Become Human’. Isto é uma história que fala da condição de um grupo de andróides versus a condição humana e até que ponto é válido uma máquina proclamar ter os mesmos direitos dos humanos. E isso é interessante. Eu tenho consciência, mas quem diz que um conjunto de fios e processadores não pode ter consciência também? Hoje em dia a temática da discriminação está no lugar em que devia estar, o racismo encoberto, as minorias, os direitos das mulheres e da igualdade salarial, tudo isso começa a estar na posição de destaque que merece. Muitas das situações das personagens no jogo são questões sociais que são pertinentes nesta altura, e ver o jogador a tomar uma opção sobre uma dessas questões é interessante de analisar. Porque salvar uma pessoa, pode ter a consequência de fazer algo errado, pondo o jogador numa posição de introspecção.

Detroit: Become Human | Trailer Markus | PS4

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CA – Já não e 1ª vez que dás voz num videojogo. Quais as diferenças neste trabalho para a voz que deste a Delsin Rowe em Infamous Second Son ou num filme de animação?

Diogo Morgado – Este é o meu 4, 5º jogo em que dou voz, creio. A diferença na dobragem de uma animação é que aí tens acesso à imagem da cena e a storyline não muda. Num videojogo, tens acesso a poucas imagens, tens que fazer a tua interpretação pelo que te dão. Até ao lançamento do jogo, não sabes se o teu trabalho vai “casar” bem com os diálogos. Tem corrido bem até agora, no ‘Infamous Second Son’, fiz o Delsin muito street, mas credível, o que não é muito a minha praia mas deu gozo fazer. Adaptamos algumas expressões do inglês para o “calão” português e resultou bem. Num videojogo não podes ser linear na narração, pois não ajuda na imersão do jogador, tens de jogá-lo enquanto dobras.

CA – ‘Detroit: Become Human’, tal como todos os jogos da Quantic Dream, tem um aspecto muito cinematográfico. Tens apostado agora mais na vertente de realização e de escrita, como em ‘Malapata’ ou no futuro ‘Solum’. Gostarias de escrever para um jogo?

Diogo Morgado – Muito, posso-te dizer até que gostava muito de fazer o primeiro filme motion-captured em Portugal. Não digo que brevemente, mas estamos (a SLX Productions) a trabalhar para isso. Percebemos as potencialidades das novas tecnologias como o VR, a narrativa cada vez é mais intrínseca nos jogos. Portanto gostava muito de ser responsável pela narrativa de um jogo.

CA – Qual a diferença que encontraste entre ‘Heavy Rain’ e este novo jogo da Quantic Dream?

Diogo Morgado – O Heavy Rain foi criticado pela ilusão de escolha, porque acabava por afunilar um pouco a história. Em ‘Detroit: Become Human’ isso não acontece. Quando escolhes um caminho, isso determina completamente o final do jogo. E eu sei isso porque gravei todas as cenas (risos). E a dimensão do espectro entre os finais possíveis é gigante.

CA – O que nose podes revelar do teu próximo projecto, ‘Solum’, gravado na ilha dos Açores?

Diogo Morgado – Está em pós-produção dos efeitos especiais. É um filme de ficção científica que tem muitos efeitos especiais, e isso demora algum tempo. Quando envolvemos efeitos especiais, sabemos que isso tem de ficar bem feito para não se notar que aqueles efeitos são falsos. Esperemos que o filme final corresponda às expectativas.

 

Detroit: Become Human com vozes de Diogo Morgado, Victória Guerra e José Mata

Detroit: Become Human – Entrevista a Victória Guerra

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