CA Notícias, as últimas notícias do mundo do desporto, da tecnologia e do entretenimento. Os últimos resultados, lançamentos, estreias.

21 de Julho de 1993 – Inauguração das Piscinas Olímpicas

// 20 de Julho de 2014

Após longos anos de espera, atrasos, recuos, atropelos e outras peripécias, era inaugurado o Complexo de Piscinas do Belenenses. Na inauguração, feita com pompa e circunstância, esteve presente o Presidente da República, tendo sido descerrada lápide comemorativa. Era o concretizar, finalmente, de um sonho com mais de 25 anos.

A natação do Belenenses começou em 1925, num velho tanque, carinhosamente apelidado de “caldo verde”, na parte Norte do Jardim Colonial, na Calçada do Galvão. Aliás, nele se apoiou durante décadas a fio. Aí aprenderam a nadar e treinaram muitos belenenses que deixariam o seu nome marcado na natação nacional, como Delfim da Cunha, João da Silva Marques, Ana Linheiro, José Freitas e tantos outros. O Belenenses foi pioneiro e um dos clubes fundadores da Associação de Natação de Lisboa, em 1930 e que viria a substituir a Delegação de Lisboa da Liga Portuguesa dos Amadores de Natação” e o “Núcleo de Lisboa da Federação Portuguesa de Natação”.

No final da década de 60, com o Estádio do Restelo e restante complexo desportivo do Belenenses resgatado pela Câmara Municipal de Lisboa, Portugal candidatara-se à organização da “Universíada». Na posse da Câmara Municipal de Lisboa os terrenos do Restelo foram seleccionados para a construção das piscinas que albergariam a importante competição. Iniciaram-se as obras mas a organização portuguesa viria a ser cancelada.

Apesar de estarem já fase de construção e de todo o investimento até aí feito, as obras pararam. Durante cerca de vinte anos as piscinas, ou o que delas já estava construído, ficaram a apodrecer. Com o Restelo devolvido em 1969, quis o Belenenses recuperar esta obra. Mas a Câmara nem se dignava responder.

21 de Julho de 1993 – Inauguração das Piscinas Olímpicas

Em 24 de Outubro de 1973, o Diário Popular, vespertino lisboeta, publicava o seguinte texto, que Acácio Rosa cita no seu “Factos Nomes e Números, 1960-84»:

“PISCINAS A APODRECER NA ZONA DO RESTELO!

(…) A Universíada (portuguesa) foi cancelada e as obras em curso paralizadas: nesse lote – a abater – ficaram as piscinas do Restelo. Todavia, dado o vultuoso empate de capital já aplicado, a opção de parar talvez tenha sido tomada um tanto precipitadamente. Hoje enterrada paredes-meias com um estádio cheio de gente, um envergonhado complexo desportivo… que não chegou a nascer. Desportivo e, sobretudo, de cultura física.

Apelo à Câmara Municipal

Não se sabe bem porque a obra estacou… perto do fim. Fala-se em falta de disponibilidades financeiras mas o certo é que o dinheiro já gasto bem justifica o ressurgimento dos trabalhos, aliás único processo de a população tirar o juro do capital empatado.

Ora, “Os Belenenses» já se mostraram interessados na exploração daquele complexo ginasta, para o que endereçaram ao Município de Lisboa o respectivo pedido. Porém, até hoje, nem resposta, nem recado. Entretanto, o equipamento deteriora-se dia a dia – está exposto ao rigor do tempo e já lá vão vários Invernos… – e as instalações danificam-se, num total desprezo pelo adiantadíssimo estado da construção, certamente agora na arrancada mais fácil!

E se a Câmara não quer dar-se ao trabalho de administrar as piscinas, pois que as entregue a “Os Belenenses», necessariamente com a condição de o público ter acesso ao recinto dispondo o clube de tempo limitado para treino dos seus atletas. Sim, porque nós não queremos acreditar que haja qualquer “Guerra do Alecrim e da Manjerona» por detrás de tão insólita paralização… E mesmo que haja mais do que uma colectividade a candidatar-se à concessão do empreendimento, das duas uma: ou se atendem compromissos assumidos, ou se reparte o mal pelas aldeias – o que deverá figurar como axioma é que os dinheiros públicos jamais poderão ser desaproveitados de modo tão flagrantemente chocante.


”Os Belenenses», por exemplo, treinam no tanque do Jardim do Ultramar e em Algés, e as gentes do populoso bairro do Restelo continuam sem piscinas. E o dinheiro já está quase todo gasto e, espantosamente, a apodrecer à vista do público, impotente!”.

No final de 1973, o Clube é praticamente obrigado a suspender a natação, visto estar impedido de utilizar o velho “Caldo Verde” por questões de higiene e saúde e pelo caro da solução de recorrer a piscinas alheias. E lembrar que as piscinas apodreciam no próprio Restelo…

21 de Julho de 1993 – Inauguração das Piscinas Olímpicas

Cresce então um movimento pela construção das piscinas, como atesta outro texto transcrito por Acácio Rosa no mesmo livro. Desta vez um texto do Jornal A Bola, publicado em 1974:

“Um sonho … hoje nado eu!
Por Vítor Serpa

Hoje nado eu … mas em seco. Não que não saiba nadar. Até poderia fazer o auto-elogio dos meus dotes natatórios, pois não seria o primeiro. No entanto, apenas direi que aprendi a dar as primeiras braçadas (quando ainda era um rechonchudo menino de 7 anos) no já naquela altura insuficiente tanque do Jardim do Ultramar – no tal que serviu de mostruário de crocodilos quando da exposição do Mundo Português. E como de lá tiraram os bichinhos, nele consegui iniciar-me na natação e, até cheguei a ganhar inchadamente, as minhas medalhas.


Pois não fui o único indígena belenense que aprendeu a nadar nesse tal tanque dos crocodilos que hoje é domicílio de dezenas de peixinhos assustados que se escondem debaixo da ponte a cada mergulho humano. Não senhor. Nessa fingida piscina, aprendem a nadar, todos os anos, várias dezenas de miúdos porque ali têm as suas escolas e ainda se treina o Clube de Futebol “Os Belenenses», que, até na própria natação, possui os seus pergaminhos, pois costumava, pelo menos no meu tempo, ser o grupo que mais se aproximava do Algés e Dafundo, o monopolista dos bons nadadores. Só lhes digo que tinha a sua graça ver a força de vontade de atletas e treinadores que, afincadamente, se batiam por se manter à frente de alguns donos de piscinas a sério.


Porém, os “carolas» acabaram ou, pelo menos, passaram a um número reduzido e certo é que a natação em Belém não mais conquistou lugar de projecção.


Há cerca de dois anos, no entanto, renasceu a esperança. E os jornais deram a notícia, com toque de sensação: “Uma piscina municipal no Restelo». Lá se foi construindo a piscina nos próprios terrenos do estádio precisamente no local do velho ringue de patinagem. Aconteceu, então, que, já em fase adiantada da obra, os trabalhos cessaram e deles apenas ficou um enorme buraco, que só tem água por altura das grandes chuvadas… que, mesmo assim, não chegaria para tapar os tornozelos dos mais pequeninos. E, francamente, aprender a nadar em seco é capaz de não dar muito resultado.

Já agora, quero acrescentar que a construção da piscina não só poderia beneficiar o clube, mas também muita gente da zona ocidental de Lisboa.


Ora, numa altura que as pessoas são comandadas por “slogans», parece-me oportuno evocar dois deles, todavia, com certas emendas : “Há mar e mar, há ir e voltar»… mas voltarão? Isso já não está na nossa mão. Que se façam as piscinas porque todos lucrarão.”.

Foram dez os anos em que a actividade da natação esteve praticamente interrompida. Apenas no final de 1983 foi retomada. No entanto, apenas no final dessa década, o projecto das piscinas ressurgiu.

Mesmo assim, houve ainda que passar por muitas peripécias que não cabe aqui reportar, até porque várias delas não foram agradáveis.

O Complexo de piscinas (acrescente-se que uma delas era Olímpica) foi apresentado desde sempre como uma oportunidade de não só providenciar aos nadadores do Belenenses condições ímpares de treino e competição, mas também uma oportunidade de aumentar a massa associativa e de potenciar o aumento de receitas. Durante alguns anos, sim, deram dinheiro e trouxeram sócios (coisa diferente de adeptos, em que porventura o saldo foi decepcionante). Quantos anos? Até quando? O que poderia ou não ter sido feito? Não é este o espaço para entrar em temas tão polémicos. Hoje, como se sabe, as piscinas estão fechadas.

21 de Julho de 1993 – Inauguração das Piscinas Olímpicas

Para além disso, contudo, uma homenagem indubitavelmente se impõe – a todos aqueles que honesta e denodadamente mantiveram o sonho vivo e o traduziram em obra que foi motivo de orgulho.

NG + JMA


Via: Os Belenenses

anuncio
  

O Belenenses faz parte do teu dia a dia?

Junta-te a nós, juntos vamos divulgar mais e melhor o Belenenses!

Candidata-te aqui - https://goo.gl/jfTi3z Ou segue-nos no facebook em CA Notícias

One Response

  1. Romão Alexandre 21 Jul, 2014, 09:46
X