Bárbara Bandeira trouxe a multidão. Depois, os Jardins do Palácio ficaram (quase) para T-Rex
Soraia Tavares abriu a última noite ainda com luz de fim de tarde, Bárbara Bandeira concentrou crianças e jovens junto ao palco e T-Rex encontrou um recinto mais vazio, mas com as primeiras filas preenchidas.
Depois de uma primeira noite marcada pelas atuações de Rita Rocha, Tiago Nacarato e Pedro Abrunhosa, as Noites nos Jardins do Palácio mudaram de geração e de sonoridade este sábado. O segundo e último dia trouxe ao Porto Soraia Tavares, Bárbara Bandeira e T-Rex, num alinhamento pensado sobretudo para os públicos mais jovens e para as novas sonoridades da pop e da música urbana portuguesa.
O cenário manteve-se: o verde dos Jardins do Palácio de Cristal, um palco montado ao ar livre e um público que foi chegando ao longo da tarde. Mas, ao contrário do que por vezes acontece nos grandes festivais, não foi preciso disputar cada metro quadrado. O recinto esteve a meio gás durante boa parte da noite, embora a imagem junto ao palco fosse bastante diferente, sobretudo quando chegou a vez de Bárbara Bandeira.
Eram 19h00 quando Soraia Tavares deu os primeiros acordes do último dia. A cantora não fazia parte do cartaz originalmente anunciado. Entrou posteriormente para substituir Nenny e ficou com a responsabilidade de abrir uma noite que iria progressivamente mudar de registo até chegar ao hip-hop de T-Rex.
Com o público ainda a chegar e o sol a marcar presença sobre os jardins, Soraia encontrou um ambiente mais descontraído. Não havia ainda a concentração de pessoas que se veria duas horas mais tarde e isso permitiu que o concerto funcionasse também como uma espécie de receção a quem entrava no recinto.
Musicalmente, a atuação passou pelo universo pop e R&B que tem marcado o percurso da artista. “A Culpa É da Lua”, tema que dá nome ao seu primeiro álbum, é uma das canções centrais desse percurso, ao lado de músicas como “Tu Não Mentes”, “Acelera”, “Nem Dei Por Acontecer”, “Álibi” e “As Cinco Coisas Que Nunca Te Disse”. Mais recentemente, Soraia apresentou “Teki Manxi”, single que assinala uma nova etapa musical e que surge atualmente entre os temas em destaque da artista.
Foi um início de noite sem a urgência que se sentiria mais tarde. Enquanto Soraia cantava, havia quem se aproximasse do palco, quem procurasse comida e bebida e quem simplesmente aproveitasse o espaço dos jardins. Aos poucos, porém, a composição do recinto começou a mudar.
Tiago Ferreira/CA Notícias
À medida que as 21h00 se aproximavam, começaram a destacar-se muitas crianças e jovens entre o público. Alguns acompanhados pelas famílias, outros em grupos de amigos, aproximavam-se do palco para garantir um lugar nas primeiras filas.
Bárbara Bandeira era, claramente, uma das artistas mais aguardadas deste segundo dia. Quando entrou em palco, encontrou um recinto que continuava longe de estar completamente cheio, mas uma frente de palco bem mais composta. E bastaram as primeiras músicas para perceber que ali estava um público que conhecia o repertório.
A cantora tem apresentado em 2026 um alinhamento que junta a fase mais recente da carreira a alguns dos temas que a fizeram crescer na pop portuguesa. Nos concertos deste ano, “Marcha” tem servido de ponto de partida para uma sequência que inclui “Mais”, “Ride”, “Fumaça” e “Zona Sul”.
Com Bárbara no centro do palco, a resposta vinha sobretudo da frente. Telemóveis levantados registavam praticamente cada refrão e as vozes do público começavam muitas vezes a ouvir-se assim que eram reconhecidos os primeiros acordes.
“Como Eu” foi um desses momentos. A colaboração originalmente lançada com Ivandro tornou-se num dos temas mais reconhecidos da cantora e ganhou uma segunda voz coletiva nos jardins. Seguiram-se outros temas presentes nos alinhamentos recentes, como “Nós os Dois”, “A Última Carta” e “Mau Olhado”.
E, à medida que se aproximava a reta final, chegavam alguns dos maiores sucessos. “Onde Vais” voltou a encontrar resposta imediata. Depois, “Carro” e “Flores” mantiveram o público a acompanhar a cantora até “Como Tu”, tema que Bárbara tem utilizado para fechar os seus concertos mais recentes.
Tiago Ferreira/CA Notícias
Bárbara terminou — e uma multidão dirigiu-se para a saída. Assim que terminou a atuação de Bárbara Bandeira, uma multidão começou a abandonar os Jardins do Palácio de Cristal.
O movimento em direção às saídas foi significativo. Crianças, jovens e famílias que tinham estado no recinto durante o concerto começaram a sair, deixando bastante mais espaço disponível enquanto decorria a mudança de palco para a última atuação.
Ainda assim, quem olhasse apenas para a frente do palco poderia ter uma impressão diferente. As primeiras filas continuaram preenchidas. Os fãs de T-Rex permaneceram junto às grades, enquanto outros foram ocupando os lugares deixados vagos por quem acabara de sair.
Se Bárbara Bandeira tinha deixado o palco entre refrões pop cantados por crianças e jovens, T-Rex trouxe uma mudança imediata de ambiente. Os graves ganharam peso, as luzes assumiram outra importância e o público concentrou-se sobretudo junto ao palco.
O rapper entrou naquele que era o último concerto das Noites nos Jardins do Palácio com um repertório construído entre diferentes fases da carreira. Nos alinhamentos mais recentes, a entrada tem sido feita com “Amazing”, seguindo-se “Normal”, “Não É Possível”, “Duvidava” e “Cidade”. Depois chegou “Volta”, um dos temas mais recorrentes nos concertos de T-Rex.
Tiago Ferreira/CA Notícias
A resposta das primeiras filas contrastava com os espaços agora vazios existentes mais atrás. Havia menos público do que no concerto anterior, mas quem tinha ficado aproximava-se do palco, levantava os braços e acompanhava o rapper.
O alinhamento atual de T-Rex dá bastante espaço às músicas mais recentes. “R&bsr&b$”, “Guud”, “Apple Pay”, “Jantes20” e “UUUUHH” fizeram parte do espetáculo. Mas há também canções que já se tornaram presença habitual nos espetáculos do rapper. “ANTI-ANTES”, “Volta”, “Ar”, “É Assim” e, sobretudo, “Tinoni”.