Alkantara Festival 2018: Apresentação de “Le Kombi” (Congo) cancelada

A organização do Alkantara Festival informou hoje que a apresentação de Le Kombi, do coreógrafo congolês Jeannot Kumbonyeki, prevista para 31 de maio e 1 de junho no São Luiz Teatro Municipal, foi cancelada. Em comunicado, a Direção do festival explica que se deveu a “problemas insolúveis com vistos”.

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A notícia foi publicada hoje na páginal oficial de facebook do Alkantara Festival.

Comunicado da Direção do Alkantara Festival

“É com muita tristeza que informamos que, devido a problemas insolúveis com vistos, a apresentação de Le Kombi, do coreógrafo congolês Jeannot Kumbonyeki, prevista para 31 de maio e 1 de junho no São Luiz Teatro Municipal, não vai realizar-se.
Ao longo dos anos, o Alkantara Festival, com o objetivo explícito de apresentar projetos de artistas de outros territórios que não os considerados ocidentais, confrontou-se com diversas questões de controlo de fronteiras. Algumas vezes, garantir a entrada de artistas e as suas equipas em Portugal foi difícil, mas no final sempre conseguimos fazê-los subir ao palco. Desta vez não.
Em colaboração com a equipa da Studios Kabako (a estrutura de produção de Faustin Linyekula) tentámos obter uma autorização de visto para Jeannot desde meados de março. Em vão.

As autoridades congolesas ordenaram em janeiro deste ano, no meio de um crescente conflito diplomático entre a República Democrática Congo (RDC) e os países europeus, fechar a Maison Schengen, em Kinshasa. Este posto consular trata de todas as exigências de vistos para que os cidadãos congoleses possam viajar para os países do espaço Schengen. Até agora a Maison Schengen não foi reaberta o que significa que se tornou praticamente impossível para os cidadãos congoleses entrarem no espaço Schengen. Por seu lado, a União Europeia já deixou claro que não fará qualquer exceção, a fim de manter a pressão sobre a RDC.

Apesar dos nossos esforços e do apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi impossível contornar esta situação e trazer Jeannot até nós.

Esta história contém muitas tragédias:
A tragédia de um povo que sofreu dezenas de anos de conflitos e guerras só porque vivem sob os recursos naturais mais ricos do planeta, agora é feito refém num braço de ferro entre Kinshasa e Bruxelas.
A tragédia de um artista bastante talentoso, impossibilitado de mostrar o seu trabalho internacionalmente.
E a dos públicos de Lisboa, privado da possibilidade de ver um jovem dançar, de forma única e eloquente, o horror e a injustiça que seus compatriotas vivem.

O Alkantara Festival optou por não substituir a performance de Jeannot Kumbonyeki. Vamos antes utilizar o tempo da performance, integrada numa programação tripla, juntamente com Flora Détraz e Jozef Wouters, para partilhar um testemunho em vídeo de Jeannot Kumbonyeki e observar a situação atual no Congo. Gostaríamos muito de convidá-los a reunirem em torno desta cadeira vazia e ouvir os testemunhos do desespero inimaginável de uma nação.”

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